Operação Sem Desconto completa um ano com R$ 2,95 bilhões devolvidos pelo INSS
Operação Sem Desconto: INSS devolve R$ 2,95 bi após um ano

Operação Sem Desconto do INSS marca um ano com bilhões em ressarcimentos

A Operação Sem Desconto, que expôs desvios massivos em aposentadorias e pensões administradas pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), completa exatamente um ano nesta quinta-feira, 23 de maio. Até o dia 27 de março, a autarquia já havia devolvido a impressionante quantia de R$ 2,95 bilhões para 4,34 milhões de pessoas que identificaram irregularidades nos descontos aplicados em seus benefícios previdenciários.

Milhões ainda aguardam manifestação sobre descontos

Segundo dados oficiais do INSS, aproximadamente 4 milhões de beneficiários ainda não se pronunciaram sobre os descontos realizados em suas contas. O órgão prorrogou o prazo para que aposentados e pensionistas possam contestar valores indevidamente retidos, com a data limite estabelecida para 20 de junho.

As investigações revelaram um esquema complexo onde suspeitos cobravam mensalidades irregulares diretamente dos benefícios, sem qualquer autorização dos titulares. Os desvios ocorreram entre 2019 e 2024, com estimativas apontando que o prejuízo total pode alcançar a marca de R$ 6,3 bilhões.

Banner largo do Pickt — app de listas de compras colaborativas para Telegram

Notificação em massa e processo de contestação

Em maio de 2025, o INSS enviou notificações para 9,5 milhões de aposentados e pensionistas alertando sobre descontos associativos em seus benefícios. A partir dessa comunicação, a autarquia abriu um prazo – posteriormente prorrogado duas vezes, com 90 dias cada – para que os segurados pudessem:

  • Confirmar se o desconto havia sido autorizado
  • Contestar o valor e solicitar ressarcimento
  • Declarar que o desconto era legítimo

Lei sancionada e veto presidencial

Em janeiro deste ano, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou legislação que proíbe descontos por associações em benefícios pagos pelo INSS. A lei, aprovada pelo Congresso Nacional no final do ano passado, também determinava uma "busca ativa a beneficiários lesados" e previa seu ressarcimento, mas este trecho específico foi vetado pelo presidente.

O governo justificou o veto alegando que o dispositivo "contraria o interesse público" ao atribuir competências não próprias ao INSS, expondo a autarquia a "riscos jurídicos e operacionais, além de custos extraordinários". Pelo texto sancionado, quando identificado um desconto indevido, a entidade responsável deve devolver integralmente o valor ao beneficiário em até 30 dias.

Esquema fraudulento e investigações

O caso veio à tona em 23 de abril do ano passado, após a primeira fase da operação da Polícia Federal. O esquema consistia em retirar valores mensais de beneficiários do INSS como se fossem membros de associações de aposentados, quando na realidade não haviam se associado nem autorizado os descontos.

Segundo o ministro da Controladoria-Geral da União (CGU), Vinícius de Carvalho, as associações envolvidas alegavam prestar serviços como assistência jurídica e ofereciam descontos em academias e planos de saúde, mas não possuíam estrutura adequada. Ao todo, 11 entidades foram alvo de medidas judiciais, com seus contratos com aposentados e pensionistas suspensos.

Consequências políticas e CPMI

O escândalo provocou mudanças significativas no governo, incluindo a queda do ministro da Previdência e do presidente do INSS. Foi instaurada uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS para apurar o caso, cujo prazo terminou no final de março.

O relatório do deputado Alfredo Gaspar (PL-AL) recomendava o indiciamento de mais de 200 pessoas, incluindo parlamentares, ex-ministros, dirigentes de estatais e entidades associativas, além de Fábio Luís Lula da Silva ("Lulinha"), filho do presidente. O parecer foi rejeitado pelos parlamentares, encerrando o colegiado sem documento formal.

Prisões e figuras centrais

Diversas pessoas foram presas em diferentes fases da operação, incluindo:

Banner pós-artigo do Pickt — app de listas de compras colaborativas com ilustração familiar
  • Alessandro Stefanutto, ex-presidente do INSS
  • Virgílio Antônio Ribeiro de Oliveira Filho, ex-procurador do órgão
  • Antônio Carlos Antunes Camilo ("Careca do INSS"), figura central no esquema
  • Maurício Camisotti, empresário
  • André Paulo Felix Fidelis, ex-diretor de Benefícios do INSS
  • Thaisa Hoffmann, empresária e esposa de Virgílio
  • Vinícius Ramos da Cruz, presidente do Instituto Terra e Trabalho
  • Dirigentes da Conafer e outras entidades associativas

Quem pode aderir ao acordo de ressarcimento

Podem ingressar no plano de devolução os aposentados e pensionistas que:

  1. Contestaram descontos indevidos e não receberam resposta da entidade responsável em até 15 dias úteis
  2. Receberam resposta considerada irregular (como assinaturas falsas ou gravações de áudio no lugar de comprovantes válidos)
  3. Sofreram descontos entre março de 2020 e março de 2025
  4. Têm processo judicial em andamento, desde que ainda não tenham recebido os valores – necessitando desistir da ação para aderir ao acordo administrativo

O INSS continua trabalhando para identificar e ressarcir todos os beneficiários afetados por este que se tornou um dos maiores escândalos da Previdência Social brasileira.