O julgamento contra o ex-presidente da Bolívia, Evo Morales, por suposto tráfico de uma menor foi suspenso nesta segunda-feira (11) devido à sua ausência. O tribunal renovou o mandado de prisão contra ele, conforme informou o Ministério Público boliviano.
Acusações contra Morales
A Procuradoria acusa Morales de manter um relacionamento com uma adolescente de 15 anos, com quem teria tido uma filha. Segundo o expediente, os pais da suposta vítima teriam consentido com os fatos em troca de benefícios. Morales nega as acusações e denuncia perseguição política.
Ausência e situação de revelia
Morales não compareceu ao julgamento, e o promotor Luis Gutiérrez afirmou que o processo fica suspenso até que ele e a mãe da vítima, também acusada, compareçam ou sejam levados pela polícia. Em janeiro de 2025, após não atender a uma convocação judicial, Morales foi declarado à revelia, o que impede o início do processo até que ele se apresente.
O Ministério Público informou que o Judiciário ratificou a situação de rebelde e emitiu novas ordens de prisão e proibição de saída do país, embora já existissem outras ordens anteriores. O promotor Gutiérrez destacou que cabe à Polícia Nacional cumprir a ordem de prisão.
Defesa e reações
O advogado de Morales, Wilfredo Chávez, disse que seu cliente não foi notificado adequadamente, pois a convocação foi feita por decreto e não enviada ao domicílio. A defesa rejeita as acusações e alega perseguição judicial do governo do presidente Rodrigo Paz.
Morales, que governou a Bolívia de 2006 a 2019, está na região cocaleira do Chapare, seu reduto político, protegido por milhares de camponeses que montam guarda para evitar uma incursão policial. Em suas redes sociais, ele afirmou: "Não busco impunidade. Quero que meus acusadores demonstrem - com provas legais e reais - os supostos crimes que cometi. Pedi uma justiça imparcial, honesta, objetiva e autônoma do poder político."



