Trump afirma que Irã chega enfraquecido a negociações de paz em Islamabad
Trump diz que Irã chega enfraquecido a negociações em Islamabad

Trump afirma que Irã chega enfraquecido a negociações de paz em Islamabad

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou nesta sexta-feira que o Irã chega enfraquecido às negociações de paz previstas para este sábado em Islamabad, no Paquistão. Segundo o republicano, o país não possui poder de barganha além da ameaça de bloquear rotas marítimas estratégicas, como o crucial Estreito de Ormuz.

Críticas diretas e ameaças veladas

Em publicação em sua rede social, Trump foi incisivo: "Os iranianos parecem não perceber que não têm cartas, exceto a extorsão de curta duração do resto do mundo utilizando as rotas marítimas internacionais. A única razão pela qual ainda estão vivos hoje é para negociar". Em outra mensagem, o presidente norte-americano voltou a atacar o governo iraniano, afirmando: "Os iranianos são melhores a manipular os 'media' mentirosos e nas 'relações públicas' do que a lutar!".

A comparação com um jogo de cartas não é nova na retórica de Trump. Em fevereiro de 2025, durante um encontro na Casa Branca, ele já havia usado a mesma expressão ao confrontar publicamente o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, declarando que ele não tinha mais “cartas” no conflito com a Rússia.

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O controle do Estreito de Ormuz no centro das discussões

O controle do Estreito de Ormuz, por onde passavam aproximadamente 20% do petróleo e do gás natural liquefeito do mundo antes do início da guerra em 28 de fevereiro, está no epicentro das negociações de paz entre Estados Unidos e Irã. O conflito teve início após uma ofensiva conjunta de forças americanas e israelenses contra território iraniano.

Apesar de Washington e Teerã terem anunciado um cessar-fogo de duas semanas, com a promessa de reabertura da rota marítima, apenas um número limitado de navios conseguiu atravessar o estreito desde então, devido à persistente ameaça militar iraniana. Na quinta-feira, Trump acusou o Irã de descumprir o acordo, afirmando: "Não estava a cumprir a sua parte", em referência direta ao bloqueio de Ormuz.

Preparações para uma nova escalada militar

O presidente norte-americano também lembrou que havia dado um ultimato ao país, sob ameaça de apagar "uma civilização inteira". Em entrevista ao jornal New York Post, Trump revelou que os Estados Unidos já se preparam para uma nova escalada militar caso as negociações em Islamabad fracassem.

"Estamos a começar tudo de novo. Estamos a carregar os navios com as melhores munições, as melhores armas alguma vez construídas, até melhores do que as que tínhamos antes, quando já tínhamos destruído tudo", declarou. E completou: "Se não houver acordo, vamos usá-las, e vamos usá-las com muita eficácia".

Exigências iranianas e mediação complexa

Do lado iraniano, o presidente do Parlamento, Mohammad Bagher Ghalibaf, exigiu que o cessar-fogo seja ampliado para incluir também os confrontos entre Israel e o Hezbollah, no Líbano, além do desbloqueio de ativos financeiros do país antes do início das negociações. "Duas das medidas acordadas pelas partes ainda precisam de ser implementadas: um cessar-fogo no Líbano e o desbloqueio dos ativos do Irão, antes do início das negociações", escreveu em rede social.

O levantamento das sanções financeiras não havia sido apresentado publicamente como condição inicial por Teerã, embora faça parte de uma lista mais ampla de exigências para um acordo de paz. Estados Unidos e Israel, no entanto, afirmam que o Líbano não está incluído no cessar-fogo atual, apesar de o Paquistão, mediador das negociações, ter indicado inicialmente o contrário.

Alertas e composição das delegações

Antes das declarações de Ghalibaf, o vice-presidente dos Estados Unidos, JD Vance, que deve liderar a delegação americana nas negociações em Islamabad, também fez um alerta direto ao Irã: "Se nos tentarem enganar, vão descobrir que a equipa de negociação não está muito recetiva".

As conversas de paz têm como foco principal:

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  • O fim duradouro da guerra
  • O desbloqueio do Estreito de Ormuz
  • O programa nuclear iraniano
  • A produção de mísseis de longo alcance
  • O apoio de Teerã a grupos armados no Oriente Médio
  • As sanções econômicas impostas à República Islâmica

A delegação americana contará ainda com enviados da Casa Branca, como Steve Witkoff e Jared Kushner. Do lado iraniano, a expectativa é de que as negociações sejam lideradas por Mohammad Bagher Ghalibaf e pelo ministro das Relações Exteriores, Abbas Araghchi, embora isso ainda não tenha sido confirmado oficialmente.

Contexto histórico e interrupções anteriores

A rodada anterior de negociações, mediada por Omã, foi interrompida com o início da ofensiva aérea conjunta de Estados Unidos e Israel contra o Irã, em 28 de fevereiro. O conflito gerou consequências significativas, incluindo relatos de que o líder supremo do Irã, Mojtaba Khamenei, teria ficado desfigurado após ataque que matou seu pai. Fontes próximas indicam que Khamenei sofreu ferimentos graves no rosto e nas pernas em bombardeio de EUA e Israel, mas segue lúcido e participando de decisões do regime, embora seu estado de saúde e localização ainda sejam incertos.

O cenário que se apresenta em Islamabad é, portanto, de extrema tensão, com ambas as partes demonstrando posturas firmes e ameaças veladas, enquanto o mundo observa atentamente o desenrolar de negociações que podem definir o futuro da estabilidade no Oriente Médio e a segurança das rotas marítimas globais.