Trump anuncia apreensão de navio iraniano após tentativa de furar bloqueio naval
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou neste domingo, 19 de abril de 2026, a apreensão de um navio cargueiro de bandeira iraniana que teria tentado burlar o bloqueio naval imposto pelos americanos aos portos do Irã. A declaração ocorre poucas horas após o republicano afirmar que uma nova rodada de negociações havia sido marcada para segunda-feira, 20, no Paquistão.
No entanto, Teerã rejeitou qualquer tratativa diplomática, classificando as propostas norte-americanas como "irracionais e fora da realidade", conforme informou a agência de notícias estatal Irna. A rejeição iraniana ocorre em meio a um novo capítulo na escalada das tensões entre os dois países, que já dura meses.
Detalhes da apreensão no Golfo de Omã
Em publicação na Truth Social, rede social da qual é proprietário, Trump descreveu detalhadamente a operação militar: "Hoje, um navio cargueiro de bandeira iraniana chamado TOUSKA, com quase 275 metros de comprimento e pesando quase o mesmo que um porta-aviões, tentou ultrapassar nosso bloqueio naval, e não teve sucesso".
O mandatário norte-americano continuou: "O destróier de mísseis guiados da Marinha dos EUA, USS SPRUANCE, interceptou o TOUSKA no Golfo de Omã e os advertiu para que parassem. A tripulação iraniana se recusou a obedecer, então nosso navio da Marinha os deteve imediatamente, abrindo um buraco na casa de máquinas".
Trump finalizou a descrição afirmando: "Neste momento, os fuzileiros navais dos EUA estão com a custódia do navio. O TOUSKA está sob sanções do Departamento do Tesouro dos EUA devido ao seu histórico de atividades ilegais. Temos a custódia total do navio e estamos verificando o que há a bordo!".
Contexto de tensões crescentes
Este episódio representa mais um capítulo na crescente escalada de hostilidades entre Washington e Teerã. Na última sexta-feira, 17 de abril, o Irã anunciou a reabertura total do Estreito de Ormuz, principal rota marítima para o transporte de petróleo, mas logo recuou em retaliação ao bloqueio naval imposto pelos Estados Unidos.
No dia seguinte, a Guarda Revolucionária iraniana disparou contra dois petroleiros de bandeira indiana que navegavam pela via marítima - ato que Trump classificou como "violação integral do nosso acordo de cessar-fogo".
Ameaças e negociações fracassadas
Mais cedo no domingo, o presidente norte-americano havia declarado que estava "oferecendo um acordo muito justo e razoável" ao governo iraniano, mas emitiu um claro aviso: "Espero que eles o aceitem porque, se não aceitarem, os Estados Unidos vão destruir todas as usinas de energia e todas as pontes do Irã".
No sábado, 18 de abril, Trump já havia renovado as ameaças contra o regime iraniano, citando os supostos ataques a embarcações internacionais: "O Irã decidiu disparar tiros ontem no Estreito de Ormuz - uma violação total do nosso acordo de cessar‑fogo! Muitos deles foram direcionados a um navio francês e a um cargueiro do Reino Unido".
O presidente norte-americano ainda ironizou a situação: "Isso não foi nada legal, foi? O Irã anunciou recentemente que estava fechando o estreito, o que é estranho, porque nosso bloqueio já o fechou. Eles estão nos ajudando sem saber, e são eles que perdem com a passagem fechada: 500 milhões de dólares por dia! Os Estados Unidos não perdem nada".
A apreensão do navio TOUSKA ocorre em um momento particularmente delicado das relações internacionais, com o governo Trump adotando uma postura cada vez mais agressiva em relação ao Irã, enquanto Teerã mantém sua posição de rejeição às propostas diplomáticas norte-americanas.



