Trump ameaça cobrar pedágio no Estreito de Ormuz e rejeita cessar-fogo de 45 dias
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta segunda-feira, 6 de abril de 2026, que Washington pode começar a cobrar pedágio de embarcações que desejem atravessar o Estreito de Ormuz, uma das rotas marítimas mais importantes do mundo para o comércio de petróleo. A declaração ocorre em meio a um conflito crescente entre os EUA e o Irã, que tem causado graves impactos na economia global.
Conflito sem trégua e rejeição de proposta de paz
Nesta mesma segunda-feira, tanto os Estados Unidos quanto o Irã rejeitaram formalmente um cessar-fogo de 45 dias elaborado por mediadores internacionais do Paquistão, Egito e Turquia. De acordo com informações divulgadas pela agência estatal iraniana Irna, Teerã prefere negociar um fim permanente do conflito, em vez de aceitar uma trégua temporária. Washington, por sua vez, declarou que a proposta não foi validada por Trump, mantendo a postura beligerante.
O acordo mediado previa duas fases principais: primeiro, um cessar-fogo de 45 dias para permitir negociações sobre o fim permanente da guerra, com possibilidade de extensão do prazo; segundo, a implementação de um plano de paz abrangente, que incluiria a reabertura do Estreito de Ormuz e a resolução do impasse envolvendo o estoque iraniano de urânio altamente enriquecido. No entanto, fontes iranianas afirmaram à Reuters que Teerã entende que os EUA "não estão prontos" para um cessar-fogo permanente e que o estreito não será reaberto por uma trégua temporária.
Ameaças de Trump e resposta iraniana
Trump tem sido incisivo em suas ameaças contra o Irã, afirmando repetidamente que Washington pode atacar usinas de energia, pontes e outras infraestruturas civis se Teerã não chegar a um acordo ou reabrir o Estreito de Ormuz. No fim de semana, ele deu um ultimato ao Irã, estabelecendo a terça-feira, às 20h, como prazo final para um acordo. "Abram o estreito, seus bastardos loucos, ou vocês vão viver no inferno", escreveu ele no domingo em sua rede social, a Truth Social.
Em resposta, o vice-ministro das Relações Exteriores do Irã, Kazem Gharibabadim, denunciou as ameaças de Trump como possíveis "crimes de guerra". O comando militar iraniano advertiu que, se os ataques contra alvos civis prosseguirem, as próximas fases de suas operações de represália serão "muito mais devastadoras e amplas". Além disso, a força naval da Guarda Revolucionária iraniana afirmou nesta segunda-feira que está preparando uma "nova ordem" no Golfo Pérsico e que as condições no Estreito de Ormuz "nunca voltarão ao status anterior, em particular para os Estados Unidos e Israel".
Impacto econômico e crise energética
O Estreito de Ormuz é responsável por aproximadamente 20% do tráfego global de petróleo e gás natural, com cerca de 14 milhões de barris passando diariamente por essa via estratégica. A importância econômica da rota tem sido utilizada pelo Irã como uma arma de retaliação aos ataques dos Estados Unidos e de Israel, desencadeando uma crise energética mundial. Atualmente, quase 2.000 embarcações estão retidas perto do estreito, localizado entre o Irã, ao norte, e Omã e os Emirados Árabes Unidos, ao sul.
Trump também criticou seus parceiros ocidentais por não responderem ao seu apelo para reunir uma força naval que ajudasse a reabrir o Estreito de Ormuz. Em entrevista ao The Telegraph, ele chegou a afirmar que está considerando retirar os EUA da Otan, descrevendo a aliança como um "tigre de papel". Essa postura isolacionista tem aumentado as tensões internacionais e dificultado a resolução do conflito.
Negociações fracassadas e futuro incerto
Embora tenham ocorrido tentativas de negociação, incluindo trocas de mensagens de texto entre o enviado especial de Trump para o Oriente Médio, Steve Witkoff, e o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, as perspectivas de paz parecem distantes. O Irã demonstrou intensa preocupação com qualquer acordo que deixe o país vulnerável a novos ataques, enquanto os EUA insistem em uma postura agressiva.
A situação permanece volátil, com Trump adiando prazos anteriores e alegando "conversas produtivas" com os iranianos, mas sem avanços concretos. A rejeição mútua do cessar-fogo de 45 dias indica que o conflito pode se prolongar, com sérias consequências para a estabilidade regional e a economia global. Enquanto isso, a ameaça de cobrança de pedágio no Estreito de Ormuz por parte dos EUA adiciona mais uma camada de complexidade a uma crise já profundamente enraizada.



