Países do Golfo pressionam Trump a continuar guerra contra o Irã até mudança de regime
Países do Golfo pressionam Trump a continuar guerra contra Irã

Países do Golfo pressionam Trump a manter guerra contra o Irã até mudança de regime

Nações do Golfo Pérsico têm incentivado, em conversas privadas, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, a continuar a guerra contra o Irã até que o regime iraniano esteja significativamente enfraquecido ou haja uma transformação drástica em sua liderança. A revelação foi feita pela agência de notícias Associated Press nesta terça-feira, destacando uma mudança de postura desses países em relação ao conflito.

Mudança de estratégia e pressão por ação militar

Segundo a AP, a investida é liderada pela Arábia Saudita e pelos Emirados Árabes Unidos, com apoio do Kuwait e do Bahrein. O grupo argumenta que o regime iraniano ainda não foi suficientemente enfraquecido pela guerra que EUA e Israel realizam contra Teerã há mais de um mês. Inicialmente, esses países criticaram Washington por não avisar com antecedência sobre os ataques ao Irã, mas agora defendem que este momento representa uma oportunidade histórica para enfraquecer definitivamente o governo dos aiatolás.

Líderes da Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Kuwait e Bahrein disseram aos EUA, em conversas privadas, que não desejam que o conflito termine até que ocorram mudanças significativas na liderança iraniana ou uma transformação radical no comportamento do país. Fontes de países do Golfo, dos EUA e de Israel, ouvidas sob anonimato pela AP, confirmaram essa posição.

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Divisões internas e consideração de entrada no conflito

Embora haja apoio geral às ações dos EUA contra o Irã, existem divisões internas entre os países do Golfo. Arábia Saudita e Emirados Árabes lideram os pedidos por maior pressão militar sobre Teerã, enquanto Omã e Catar, tradicionalmente mediadores entre o Irã e o Ocidente, defendem uma solução diplomática para o conflito.

Os Emirados Árabes Unidos têm adotado a postura mais dura e pressionam por uma invasão terrestre, com Kuwait e Bahrein também apoiando essa opção. Os Emirados, que já sofreram mais de 2.300 ataques com mísseis e drones iranianos, demonstram crescente irritação com a continuidade da guerra e seu impacto na imagem de centro seguro e próspero para comércio e turismo.

Além disso, os países do Golfo estão considerando entrar no conflito contra o Irã, segundo a agência de notícias Bloomberg. Diversos deles poderiam declarar guerra caso Teerã ataque sua infraestrutura vital, como instalações energéticas e usinas de dessalinização de água.

Objetivos sauditas e oscilações de Trump

A Arábia Saudita argumenta que encerrar a guerra agora não resultaria em um "bom acordo" que garanta segurança aos vizinhos árabes do Irã. Segundo os sauditas, um acordo final deve:

  • Neutralizar o programa nuclear iraniano
  • Destruir sua capacidade de mísseis balísticos
  • Encerrar o apoio a grupos aliados
  • Garantir que o Estreito de Ormuz não possa mais ser fechado

Para atingir esses objetivos, seria necessária uma mudança profunda no regime iraniano ou sua remoção completa.

Enquanto isso, o presidente Trump oscila entre afirmar que a liderança iraniana, já enfraquecida, está pronta para encerrar o conflito, e ameaçar uma nova escalada caso um acordo não seja alcançado em breve. O Wall Street Journal revelou que Trump está avaliando terminar a guerra mesmo com o Estreito de Ormuz ainda fechado, mas também disse que "obliterará" infraestrutura vital do Irã caso não haja acordo.

Complicações militares e fatores diplomáticos

Trump ainda não pediu participação direta dos países do Golfo nas operações ofensivas, segundo a AP. Um dos motivos pode ser evitar complicações militares adicionais no espaço aéreo da região. Nos primeiros dias do conflito, três caças americanos foram derrubados por engano por fogo aliado do Kuwait, e seis militares dos EUA morreram na queda de um avião-tanque no Iraque.

Outro fator é que apenas Emirados Árabes Unidos e Bahrein mantêm relações diplomáticas formais com Israel, o que complica decisões conjuntas. O Irã advertiu que poderá atacar infraestrutura crítica dos países vizinhos — incluindo usinas de dessalinização — caso os EUA intensifiquem os ataques.

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"A ausência de um objetivo claro e de confiança de que os EUA levarão a guerra até o fim torna alguns países relutantes", afirmou uma analista. "Mas um grande ataque com muitas vítimas poderia levá-los a entrar diretamente no conflito."

Paralelamente, a porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, afirmou na segunda-feira que Trump quer que essas nações ajudem os EUA a pagar pelos custos da guerra contra o Irã, acrescentando outra camada de complexidade às negociações e alianças na região.