Israel ordena evacuação de cidade em Gaza pela primeira vez desde o cessar-fogo
As Forças de Defesa de Israel (IDF) ordenaram que dezenas de famílias palestinas abandonassem suas casas em um bairro de Bani Suhaila, localizado no sul da Faixa de Gaza. Este episódio, ocorrido nesta terça-feira, 20 de janeiro de 2026, foi denunciado pelo grupo militante Hamas, que controla a região, e por moradores locais, marcando a primeira evacuação orientada por Tel Aviv desde o cessar-fogo que suspendeu o conflito de dois anos na área.
Panfletos lançados e reações imediatas
De acordo com relatos de residentes de Bani Suhaila, uma cidade situada a leste de Khan Younis, as IDF lançaram panfletos sobre o bairro de Al-Reqeb, onde famílias palestinas viviam em acampamentos improvisados após os danos causados pela guerra. Os folhetos continham a mensagem: "Mensagem urgente. A área está sob controle das Forças de Defesa de Israel. Você deve evacuar imediatamente". O Exército israelense confirmou o lançamento dos panfletos, mas negou qualquer intenção de expulsar os palestinos da região, justificando a ação como um alerta para que a população não cruzasse a linha de armistício com o Hamas.
Expansão da linha amarela e deslocamentos
Ismail Al-Thawabta, diretor do escritório de mídia de Gaza controlado pelo Hamas, afirmou que as IDF vêm expandindo constantemente a linha amarela, uma fronteira interna estabelecida no acordo de cessar-fogo para delimitar a divisão territorial temporária. Ele estima que pelo menos 9 mil pessoas foram deslocadas devido a essa prática. Um morador de Bani Suhaila, identificado como Mahmoud, corroborou essa informação em entrevista à Reuters, relatando que esta é a quarta ou quinta expansão desde o mês passado, com avanços de 120 a 150 metros a cada vez, engolindo mais território controlado pelos palestinos.
Contexto do cessar-fogo e vida em Gaza
Israel e Hamas firmaram um acordo de cessar-fogo em 10 de outubro de 2025, visando a pacificação a longo prazo da região, mas o processo não avançou além da primeira fase. Desde então, a população de Gaza, estimada em 2 milhões de pessoas, tem vivido confinada a um terço do enclave, habitando edifícios danificados e tendas improvisadas, enquanto a administração liderada pelo Hamas retomou o controle local.
Críticas adicionais e tensões com a ONU
Além da evacuação, Israel enfrentou críticas nesta semana pela demolição da sede da Agência das Nações Unidas para Refugiados Palestinos (UNRWA) em Jerusalém Oriental. A organização classificou a ação como um ataque "sem precedentes", violando o direito internacional, enquanto membros do governo israelense comemoraram o feito. Este episódio representa uma escalada nas tensões entre Tel Aviv e a agência da ONU, que está proibida de operar em território israelense desde janeiro de 2025.
As denúncias de expansão territorial e deslocamento forçado violam os termos do acordo de paz, levantando preocupações sobre a estabilidade futura na região e o bem-estar das famílias afetadas, que já enfrentam condições precárias de vida.