Irã fecha Estreito de Ormuz e deixa 800 navios parados, afetando preço do petróleo
Irã fecha Estreito de Ormuz e paralisa 800 navios

Irã fecha Estreito de Ormuz e paralisa centenas de navios

O Irã anunciou uma "nova fase" para o Estreito de Ormuz e tem mantido a passagem efetivamente fechada para o tráfego marítimo nesta quinta-feira, 9 de maio. A Guarda Revolucionária do Irã havia divulgado rotas alternativas na quarta-feira, 8 de maio, para evitar minas navais na região, mas na prática não tem concedido autorização para a maioria das embarcações atravessarem o estreito.

Impacto no mercado internacional de petróleo

As incertezas em torno do Estreito de Ormuz têm causado oscilações significativas no preço do petróleo no mercado internacional. Os preços do petróleo bruto reduziram parte dos seus ganhos ao longo do pregão desta quinta-feira, mas mantiveram-se em alta durante o dia, devido à incerteza contínua sobre quando os petroleiros poderão retomar a plena circulação. Cada barril estava sendo negociado a cerca de US$ 100 ao longo da tarde desta quinta-feira.

Declaração do líder supremo iraniano

O líder supremo do Irã, Mojtaba Khamenei, declarou através da TV estatal iraniana que a gestão do Estreito de Ormuz entrará em uma "nova fase" após a guerra com os Estados Unidos. A declaração atribuída ao aiatolá sugere a cobrança de pedágio dos navios que entram e saem do Golfo Pérsico, a título de "reparação" pelos danos provocados pelos ataques de EUA e Israel.

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Contexto estratégico do estreito

O Estreito de Ormuz é uma rota marítima crucial por onde passa cerca de 20% do petróleo comercializado no mundo. A região é considerada estratégica e o controle do seu funcionamento tem sido usado pelo Irã na guerra contra os EUA e Israel. Atualmente, o tráfego marítimo pelo Estreito de Ormuz permanece bem abaixo de 10% do volume normal.

Dados alarmantes do tráfego marítimo

Dados de rastreamento de navios divulgados pela Reuters nesta quinta-feira mostram que apenas seis navios passaram pelo estreito nas últimas 24 horas, contra cerca de 140 normalmente. Dos seis navios que passaram, estavam um petroleiro e cinco graneleiros, segundo informações de Kpler, Lloyd's List Intelligence e Signal Ocean.

Nova rota proposta pelo Irã

A Guarda Revolucionária do Irã quer que as embarcações naveguem pelas águas iranianas ao redor da Ilha de Larak para evitar o risco de minas navais nas rotas habituais pelo estreito, conforme informou a agência de notícias semioficial iraniana Tasnim. As embarcações devem entrar no estreito ao norte da Ilha de Larak e sair ao sul dela até segunda ordem, em coordenação com a Marinha da Guarda Revolucionária.

Riscos para o tráfego marítimo

A empresa britânica de segurança marítima Ambrey alertou em comunicado que "há uma possibilidade real de risco contínuo para trânsitos não autorizados pelo Estreito de Ormuz", especialmente para embarcações ligadas a Israel e aos EUA. A empresa acrescentou que mesmo embarcações com autorização aparente foram impedidas de passar nas últimas semanas durante o trânsito.

Acumulação de navios no Golfo

Mais de 180 petroleiros, transportando aproximadamente 172 milhões de barris de petróleo e derivados, permanecem retidos no Golfo, de acordo com a empresa de rastreamento de navios Kpler. Torbjorn Soltvedt, da empresa de inteligência de risco Verisk Maplecroft, afirmou que "a maioria das companhias de navegação provavelmente permanecerá cautelosa" e que duas semanas não serão suficientes para eliminar o acúmulo de navios, mesmo que haja um aumento significativo no tráfego.

O que são minas navais

Minas navais são explosivos que ficam submersos ou à deriva e podem ser acionados automaticamente por contato ou quando detectam a passagem da embarcação. Existem diferentes modelos:

  • Algumas ficam presas ao fundo do mar
  • Outras permanecem ancoradas a certa profundidade
  • Algumas podem ficar à deriva

Modelos mais simples explodem a partir do impacto com o casco do navio, enquanto versões mais modernas utilizam sensores que detectam alterações no campo magnético, na pressão da água ou no ruído dos motores.

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Capacidade militar do Irã

Estimativas apontam que o governo iraniano pode ter um estoque entre 2 mil e 6 mil minas navais. De acordo com o Strauss Center for International Security and Law, da Universidade do Texas, mesmo que o Irã consiga atingir navios no Estreito de Ormuz, dificilmente uma única mina seria capaz de afundar uma embarcação de grande porte, como um petroleiro, mas o navio poderia sofrer danos significativos.