EUA Destroem Embarcações Iranianas com Minas no Estreito de Ormuz
EUA destroem barcos iranianos com minas no Estreito de Ormuz

EUA Destroem Embarcações Iranianas com Minas no Estreito de Ormuz

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, intensificou suas ameaças contra o Irã nesta terça-feira (10), após reportagens da imprensa norte-americana indicarem que forças iranianas poderiam estar posicionando explosivos conhecidos como minas navais no estratégico Estreito de Ormuz. A região marítima é crucial para o comércio global de petróleo, sendo responsável pela passagem de aproximadamente 20% do petróleo comercializado em todo o mundo.

Contexto Geopolítico e Econômico

O Estreito de Ormuz, localizado entre o território iraniano e a Península Arábica, tornou-se um ponto de tensão internacional desde o início do conflito em 28 de fevereiro. O Irã anunciou o fechamento do estreito e ameaçou atacar qualquer embarcação que tentasse realizar a travessia, o que resultou em uma queda drástica no tráfego marítimo na área. Essa redução pressionou significativamente o preço do barril de petróleo, que chegou a se aproximar dos US$ 120 na segunda-feira (9).

Em resposta, Trump afirmou que o estreito não estava fechado, numa tentativa de incentivar o fluxo de petróleo, e advertiu que poderia atacar o Irã "vinte vezes mais forte" caso o país interferisse no transporte da commodity. Agora, com a possibilidade de minas sendo colocadas na região, qualquer navio que tente cruzar essas águas enfrenta riscos elevados. Esses explosivos podem ficar submersos ou à deriva, sendo acionados automaticamente por contato ou pela detecção da passagem de embarcações.

Capacidade Militar Iraniana e Riscos

Estimativas apontam que o governo iraniano pode possuir um estoque entre 2 mil e 6 mil minas navais, que são armas explosivas posicionadas no mar para atingir embarcações. Existem diferentes modelos, desde os mais simples, que explodem por impacto, até versões mais modernas que utilizam sensores para detectar alterações no campo magnético, na pressão da água ou no ruído dos motores.

De acordo com análises do Strauss Center for International Security and Law, da Universidade do Texas, o Irã mantém um arsenal variado de minas de origem soviética, ocidental e de fabricação própria. Um estudo do centro destaca que um dos modelos mais avançados em posse do país seria a EM-52, de origem chinesa, que permanece no fundo do mar e dispara um foguete em direção ao alvo quando detecta a passagem de uma embarcação.

No entanto, a capacidade iraniana de instalar minas em grande escala é limitada, já que o país teria apenas três submarinos apropriados para lançar o modelo mais avançado. Diante disso, o Irã poderia recorrer a embarcações pequenas para posicionar minas mais simples. Ainda segundo o Strauss Center, mesmo que o Irã consiga atingir navios no Estreito de Ormuz, dificilmente uma única mina seria capaz de afundar uma embarcação de grande porte, como um petroleiro, embora possa causar danos significativos.

Histórico e Regulamentação Internacional

O uso de minas marítimas é regulamentado pela Convenção de Haia de 1907, que proíbe a instalação de minas de contato perto da costa ou de portos inimigos com o objetivo de bloquear o tráfego de embarcações comerciais. O Estreito de Ormuz já foi minado no passado, durante a década de 1980, na fase final da guerra entre Irã e Iraque, quando explosivos foram espalhados pela região.

Resposta dos Estados Unidos

Em uma publicação na rede Truth Social, Trump exigiu que o Irã desistisse de instalar minas na região ou removesse qualquer explosivo que tenha sido colocado na rota marítima. "Se, por qualquer motivo, minas foram colocadas e não forem removidas imediatamente, as consequências militares para o Irã serão de uma magnitude sem precedentes", afirmou o presidente. Ele acrescentou que os Estados Unidos monitoram a região e destruirão qualquer embarcação usada para minar o Estreito de Ormuz.

Pouco depois, o Comando Central dos Estados Unidos (Centcom) anunciou que atacou vários barcos iranianos ao longo da terça-feira, incluindo 16 embarcações suspeitas de serem usadas para transportar minas navais. Na segunda-feira (9), Trump já havia declarado em entrevista que avaliava tomar o controle do Estreito de Ormuz e ameaçou destruir o Irã caso o país tentasse interferir na região. "Se fizerem qualquer coisa errada, será o fim do Irã e vocês nunca mais ouvirão esse nome novamente", afirmou.