Embaixador do Irã no Brasil acusa EUA de sabotar negociações nucleares
Em uma coletiva de imprensa realizada na Embaixada do Irã em Brasília nesta segunda-feira (2), o embaixador Abdollah Nekounam criticou duramente os Estados Unidos e Israel, alegando que essas nações não buscam genuinamente um acordo nuclear com o país persa. Segundo ele, as negociações foram interrompidas por ações agressivas, com o diplomata afirmando que "a mesa de negociação foi atacada pelo regime sionista [Israel] e pelos EUA".
Acusações de farsa e busca por mudança de regime
Nekounam argumentou que Israel e os Estados Unidos utilizaram as discussões sobre o programa nuclear iraniano como uma "farsa" para promover uma "mudança de regime" no Irã. Ele atribuiu essa postura a uma visão estadunidense de superioridade, declarando: "O presidente atual dos EUA pensa que é o rei do mundo". O embaixador enfatizou que, apesar de alguns países poderem aceitar tais alegações por interesses próprios, a República Islâmica do Irã mantém sua busca por independência há 47 anos.
Transição de poder e defesa contínua após assassinato de Khamenei
O diplomata também destacou a rápida transição de poder no Irã após o assassinato do Líder Supremo Ali Khamenei no último sábado (28). Um Conselho de Liderança Interino foi nomeado para assumir as funções enquanto a Assembleia dos Especialistas elege um novo líder. Nekounam assegurou que a defesa do país permanece "contínua, firme e poderosa", sem descontinuidades na estrutura estatal. Analistas consultados pela Agência Brasil sugerem que a mudança de regime em Teerã visa conter a expansão econômica da China, vista como ameaça pelos EUA, e consolidar a hegemonia de Israel no Oriente Médio.
Questão nuclear e alegações conflitantes
Enquanto Tel Aviv e Washington justificam ataques "preventivos" ao Irã, alegando que o país desenvolve artefatos nucleares que ameaçam Israel, Teerã insiste que seu programa é para fins pacíficos. O embaixador mencionou que, um dia antes da agressão, mediadores informaram estar próximos de um acordo onde o Irã concordaria em não manter urânio altamente enriquecido. Histórico inclui o abandono do acordo de 2015 pelos EUA no governo Trump e novas exigências em 2025, como o desmantelamento do programa nuclear e de mísseis balísticos.
Críticas à legitimidade dos EUA e caso Epstein
Nekounam questionou a legitimidade dos Estados Unidos para "administrarem o planeta", citando o caso de Jeffrey Epstein, financista condenado por crimes sexuais e tráfico. Ele afirmou: "As pessoas que ultrapassaram as fronteiras de humanidade não merecem administrar a soberania do mundo". As relações de Epstein com a elite política norte-americana, incluindo o ex-presidente Trump, têm causado abalos políticos nos EUA e entre aliados.
Posição do Brasil e justificativas para ataques iranianos
Questionado sobre a posição do Brasil, o embaixador agradeceu a condenação do uso da força por Israel e EUA pelo Ministério das Relações Exteriores brasileiro, descrevendo-a como "valorosa". Ele defendeu o direito do Irã de atacar bases militares inimigas, argumentando que são ações de legítima defesa contra agressões. Nekounam esclareceu que os ataques visam alvos dos EUA e de Israel em países como Arábia Saudita e Jordânia, sem constituir agressão aos territórios dessas nações.
Contexto histórico e perspectivas futuras
Este é o segundo ataque de Israel e EUA ao Irã em oito meses, ocorrendo durante negociações sobre programas nuclear e balístico. O conflito reflete tensões profundas, com o Irã disposto a inspeções internacionais, enquanto Israel nunca permitiu tais verificações em seu próprio programa nuclear. A situação continua volátil, com implicações globais para a segurança e diplomacia no Oriente Médio.
