Conflito internacional deixa brasileira presa na Tailândia sem previsão de retorno ao país
A planejadora financeira Lueny Santos, de 31 anos e natural de Goiânia, está enfrentando uma situação inesperada durante suas férias na Tailândia. O conflito entre Israel, Estados Unidos e Irã no Oriente Médio resultou no cancelamento do seu voo de retorno ao Brasil, deixando-a sem previsão concreta para voltar para casa.
Voo cancelado e realocação complicada
Lueny Santos tinha planejado retornar ao Brasil na segunda-feira, dia 9 de abril, com chegada prevista para dois dias depois. No entanto, seu voo que faria escala em Abu Dhabi, capital dos Emirados Árabes Unidos, foi cancelado devido ao fechamento do espaço aéreo na região. "Não consegui voltar porque o meu voo passaria por Abu Dhabi e foi cancelado", relatou a goiana.
Após tentativas frustradas de conseguir visto australiano para uma rota alternativa, uma amiga também de Goiânia conseguiu realocá-la em um novo voo apenas para o dia 18 de abril. Porém, nem mesmo essa nova data traz segurança, já que a escala está programada para Doha, capital do Catar, outra cidade afetada pelo conflito. "Eu não sei se esse voo vai acontecer. Então, o mistério está aí no ar", desabafou Lueny.
Impacto no trabalho e orçamento familiar
Como trabalhadora autônoma, os dias adicionais de férias forçadas estão causando impactos significativos no seu orçamento e agenda profissional. Atualmente em Bali, na Indonésia, ela precisou remanejar todas as reuniões marcadas a partir do dia 12 de abril devido às diferenças de fuso horário.
"Eu tenho uma viagem a trabalho, no dia 18, para Curitiba, que provavelmente eu vou perder", explicou Lueny. A situação é ainda mais complicada porque ela deixou o computador de trabalho no Brasil, já que a viagem tinha como objetivo apenas o período de descanso.
Outros brasileiros afetados pela crise
A situação de Lueny não é isolada. Outros goianos que viajaram para a região ou precisavam fazer escalas no Oriente Médio também enfrentam dificuldades para retornar ao Brasil. O servidor público Vinicius Artiaga, que estava de férias em Dubai, relatou à TV Anhanguera que o aeroporto da cidade foi fechado justamente no dia do seu retorno.
"Após já ter despachado as minhas malas, nós tivemos a notícia que havia o fechamento do espaço aéreo nos Emirados, em razão de possíveis ataques", contou Vinicius. Ele ainda descreveu a cena caótica no terminal: "Estava sentado no chão do aeroporto quando a polícia solicitou que saísse porque o terminal seria totalmente evacuado".
Contexto do conflito internacional
Os ataques de Israel e Estados Unidos contra o Irã começaram no dia 28 de fevereiro, concretizando ameaças feitas pelo presidente norte-americano Donald Trump durante a escalada de tensão entre os países. No ataque a Teerã, morreram o líder supremo iraniano aiatolá Ali Khamenei e outros membros de alto escalão do governo e das forças armadas.
Em resposta, o Irã disparou mísseis contra território israelense e bases militares norte-americanas no Oriente Médio. O conflito já resultou em mortes de civis inocentes, incluindo 175 vítimas em um ataque a uma escola de meninas no sul do Irã, sendo a maioria crianças.
Nesta terça-feira, dia 10 de abril, a TV estatal iraniana divulgou um vídeo com provocações a Trump, renovando as acusações de que os Estados Unidos seriam responsáveis pelo ataque à escola. A situação continua instável, afetando não apenas as relações internacionais, mas também a vida de civis como Lueny Santos e outros brasileiros que se encontram presos em meio ao conflito.



