Fraude do INSS: empresária amiga de Lulinha presta depoimento à PF
A empresária Roberta Luchsinger, amiga de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, prestou depoimento à Polícia Federal nesta quarta-feira (20). Ela é investigada por suposta ligação com o lobista Antônio Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS, apontado como operador de um esquema de descontos ilegais em aposentadorias e pensões do INSS.
Depoimento de 50 minutos
O depoimento de Roberta Luchsinger durou cerca de 50 minutos. Segundo sua defesa, a empresária confirmou ter prestado serviços remunerados a Antônio Camilo Antunes, relacionados à regulação do mercado de canabidiol no Brasil. Ela afirmou desconhecer qualquer atuação do lobista sobre descontos ilegais de aposentados e pensionistas, bem como a origem dos recursos que financiavam a World Cannabis, empresa do Careca do INSS que fornecia medicamentos à base de cannabis medicinal. A empresária disse acreditar que os recursos eram próprios do lobista, oriundos de sua atuação no mercado farmacêutico.
Pagamentos e investigação
Roberta Luchsinger recebeu R$ 1,5 milhão do lobista em cinco parcelas, supostamente para atuar na regulação do mercado de canabidiol. A Polícia Federal investiga se ela teria atuado junto ao Ministério da Saúde para facilitar a produção e o fornecimento de medicamentos ao SUS, o que nunca ocorreu. A PF também apura se a empresária contou com a ajuda de Fábio Luís Lula da Silva para abrir portas no ministério, o que ambos negam.
Mensagens e viagem a Portugal
Em troca de mensagens encontrada pela PF, o Careca do INSS menciona um pagamento de R$ 300 mil a "o filho do rapaz". A polícia investiga quem seria essa pessoa. No depoimento, a empresária confirmou que apresentou o lobista a Fábio Luís, mas negou que ele tenha prestado qualquer serviço ou recebido remuneração. Ela afirmou que Lulinha tinha curiosidade sobre o canabidiol porque familiares usam medicamentos à base da substância.
Investigações apontam que o Careca do INSS pagou passagem e hospedagem para Fábio Luís viajar a Portugal para conhecer uma fábrica de canabidiol. A defesa de Lulinha confirmou a viagem, mas negou irregularidades e repasses financeiros.
Mudança na investigação
No início de maio, a Polícia Federal transferiu o caso da Divisão de Repressão a Crimes Previdenciários para o grupo que investiga políticos com foro privilegiado no Supremo Tribunal Federal (STF). A troca motivou uma reunião do ministro relator, André Mendonça, com a cúpula da PF.
A defesa de Fábio Luís Lula da Silva afirmou que ele não tem relação direta ou indireta com os fatos envolvendo o INSS e, após o depoimento, pretende pedir o arquivamento da investigação contra ele por inexistência de provas de irregularidades.



