Câmara dos Deputados realiza sessão solene em memória de Marielle Franco e Anderson Gomes
Nesta quarta-feira (11), parlamentares e familiares de Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes, assassinados em 14 de março de 2018 no Rio de Janeiro, reuniram-se na Câmara dos Deputados para uma sessão solene em sua memória. O evento ocorreu a três dias do aniversário do crime e destacou a condenação histórica dos mandantes pelo Supremo Tribunal Federal (STF) em 25 de fevereiro, que incluiu os irmãos Brazão e outros três réus.
Defesa do legado de Marielle Franco e luta por justiça
A ministra da Igualdade Racial e irmã de Marielle, Anielle Franco, enfatizou que o projeto político do país deve permitir às mulheres não apenas chegar, mas permanecer nos espaços de poder. "Quando a gente sai do julgamento e a gente escuta os ministros dizendo que a Marielle é assassinada por ser negra, pobre e que ainda falava, não tem como nenhuma pessoa neste país sair, ouvir e continuar a mesma pessoa", afirmou. Ela acrescentou que seguem lutando, pois Marielle é inspiração para um futuro possível feito por mulheres.
Agatha Arnaus Reis, viúva de Anderson Gomes, ressaltou que a condenação dos mandantes abriu caminho para que os brasileiros olhem com mais coragem para as próprias estruturas. "Ao longo desses anos vimos algo que por muito tempo parecia improvável, autoridades sendo responsabilizadas e redes que pareciam intocáveis sendo expostas", disse. Ela destacou que este é um compromisso do presente, não apenas do passado.
Repercussões e mensagens de resistência
Fernanda Chaves, sobrevivente do atentado, afirmou que a condenação mostra que crimes como os cometidos contra Marielle não serão aceitos. "A gente tem condenado e responsabilizado os algozes de Marielle. O recado que o STF deu, que o Brasil deu, é de que crimes como esse não serão tolerados. O feminicídio político não será tolerado".
A vereadora Mônica Benício, viúva de Marielle, declarou que a condenação era um direito que o Estado Democrático devia aos familiares e à sociedade. "Essa justiça o Estado Democrático de Direito devia aos familiares, à toda a sociedade e à comunidade internacional, que não silenciou e não aceitou a violência e a barbárie como uma forma de fazer política em uma das principais capitais do mundo".
Condenação histórica e enfrentamento às milícias
A deputada Taliria Petrone (PSOL-RJ), autora do requerimento da sessão, destacou que agentes políticos foram condenados a 76 anos de prisão. "Pela primeira vez no banco dos réus, agentes públicos envolvidos com milícias foram condenados, dois deles a 76 anos de prisão. Isso precisa ser um recado à necessidade de um enfrentamento contundente, porque não podemos ter outras Marielle".
A Ministra das Mulheres, Eutália Barbosa, afirmou que Marielle se transformou em memória viva da luta por justiça. "O assassinato de Marielle e de Anderson chocou o Brasil e todo o mundo, mas não conseguiu conter o que havia semeado. Sua memória atravessou fronteiras, tornou-se bandeira, tornou-se pergunta permanente dirigida à democracia brasileira".
O grupo prestou homenagem a Marielle Franco na Câmara dos Deputados, reforçando a importância da justiça e do legado deixado pela vereadora e por Anderson Gomes.
