BTG Pactual avança na compra do Digimais, banco ligado a Edir Macedo
O BTG Pactual assinou um acordo de interesse para a aquisição do banco Digimais, instituição financeira vinculada ao empresário e líder religioso Edir Macedo. A informação, divulgada inicialmente pelo Valor Econômico nesta quarta-feira, 8 de abril de 2026, foi confirmada por fontes próximas às negociações, marcando um movimento significativo no setor bancário brasileiro.
Processo de leilão conduzido pelo FGC
O acordo foi formalizado no âmbito do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), seguindo a norma 4.222 da entidade. Contudo, a assinatura não representa a conclusão definitiva da compra. "O acordo do BTG não configura a aquisição, porque o banco de investimentos entra em um leilão no qual ainda pode disputar o Digimais com outras empresas", explicou uma fonte envolvida no processo.
Até o momento, o BTG Pactual é o único banco a manifestar interesse no leilão, posicionando-se como favorito para assumir as carteiras de crédito do Digimais. A expectativa é que o FGC convoque o leilão nos próximos meses, embora a transação enfrente desafios financeiros substanciais.
Incertezas financeiras e pressão sobre o FGC
A operação pode contar com uma linha de apoio financeiro do FGC para viabilizar a aquisição, mas essa alternativa é incerta. Cerca de 40% da capacidade do fundo já foi consumida pela liquidação do conglomerado do Banco Master, e o Banco de Brasília (BRB) busca um empréstimo de 4 bilhões de reais junto ao FGC, o que poderia pressionar ainda mais a disponibilidade de recursos.
Além disso, o Digimais apresenta um patrimônio líquido negativo de 8,5 bilhões de reais, conforme reportagem da VEJA. Apesar da deterioração financeira, o banco continua captando recursos através de Certificados de Depósito Bancário (CDBs) com remuneração equivalente a 125% do CDI, uma estratégia que levanta questões sobre sua sustentabilidade.
Acusações de fraude na carteira de crédito
O Digimais também enfrenta acusações graves do fundo EXP1. Segundo o investidor, foram adquiridos 55 mil contratos da carteira de crédito consignado do banco, em uma operação de 650 milhões de reais. Posteriormente, identificou-se que aproximadamente 22 mil desses contratos não tinham lastro, sendo considerados inexistentes ou irregulares.
Após a contestação, o Digimais reconheceu a fraude, de acordo com relatos do próprio fundo, e tentou oferecer novas carteiras como compensação. A proposta foi recusada, e o EXP1 passou a exigir a devolução dos valores investidos, adicionando uma camada de complexidade jurídica e reputacional à transação.
Procurados para comentários, BTG e FGC não se pronunciaram sobre o assunto, deixando em aberto questões sobre os próximos passos e o impacto dessa aquisição no mercado financeiro brasileiro.



