Petróleo atinge US$ 114 e mercados globais tentam se recuperar após semana de perdas
Os mercados financeiros globais iniciaram a segunda-feira com um cenário ambíguo, marcado pela forte alta do petróleo e tentativas de recuperação nas bolsas internacionais. O barril de petróleo é negociado a US$ 114, após ter alcançado US$ 116 durante a madrugada, em meio a tensões geopolíticas no Irã.
Bolsas internacionais apresentam desempenho misto
Contrariando expectativas de queda, os futuros dos índices americanos avançam nesta manhã, com o S&P 500 registrando alta de 0,37%, o Nasdaq subindo 0,31% e o Dow Jones aumentando 0,35%. Na Europa, o cenário é mais diversificado: o índice Euro Stoxx 50 apresenta leve queda de 0,03%, enquanto Londres (FTSE 100) avança 0,54% e Frankfurt (Dax) recua 0,14%. Paris (CAC) permanece estável.
O EWZ, fundo que representa as ações brasileiras em Nova York, começa o dia em alta no pré-mercado, indicando possível otimismo em relação ao mercado nacional.
Tensões no Irã impactam cenário internacional
No noticiário internacional, os bombardeios no Irã que causaram apagões no país dominam as atenções. Os Estados Unidos ameaçam com uma possível invasão por terra, aumentando as incertezas geopolíticas que pressionam os preços das commodities.
Agenda econômica brasileira concentra indicadores importantes
IGP-M pode ganhar nova relevância
No Brasil, a agenda econômica está carregada, com destaque para a publicação do IGP-M de março pela Fundação Getulio Vargas. Embora o indicador tenha perdido parte de sua relevância como principal indexador de contratos de aluguel, o choque nos preços dos combustíveis pode devolver-lhe importância.
O IGP-M combina preços de atacado e varejo, capturando primeiro os aumentos nos custos de produção e antecipando a chegada da inflação ao consumidor nos meses seguintes. Com o impacto dos combustíveis na produção, este indicador pode sinalizar tendências inflacionárias importantes.
Expectativas do mercado e crédito em foco
Investidores acompanham também as expectativas econômicas através da pesquisa Focus e da pesquisa Firmus, ambas publicadas pelo Banco Central. Estas pesquisas revelam as perspectivas do mercado financeiro e do setor produtivo, respectivamente.
O Banco Central tem papel adicional de destaque com a divulgação da nota mensal de crédito, que mostra:
- Concessões de empréstimos
- Taxas de juros praticadas
- Níveis de inadimplência
- Comprometimento de renda das famílias
Embora tradicionalmente não atraia tanta atenção do mercado financeiro, este dado ganha relevância considerando que o governo identifica no alto endividamento da população um dos fatores para sua baixa popularidade.
Outros destaques da agenda brasileira
A agenda do dia inclui ainda:
- Balanços corporativos do Banco Pan (antes da abertura), Gol e Marisa (após o fechamento)
- Divulgação do Relatório Focus pelo Banco Central
- Anúncio da nota de política monetária e crédito de fevereiro
- Participação de Galípolo em evento do J. Safra em São Paulo
- Publicação do Resultado do Governo Central de fevereiro pelo Tesouro Nacional
Commodities e desempenho asiático
Além do petróleo Brent, que registra alta de 2,16% a US$ 115 por barril, o minério de ferro apresenta leve avanço de 0,12%, negociado a US$ 106,10 por tonelada.
Nas bolsas asiáticas, o fechamento foi predominantemente negativo:
- Índice chinês CSI 300 (Xangai e Shenzhen): -0,24%
- Hong Kong (Hang Seng): -0,81%
- Bolsa de Tóquio (Nikkei): -2,79%
Este cenário global misto, com commodities em alta e bolsas tentando se recuperar, cria um ambiente de incerteza para investidores, enquanto indicadores brasileiros podem oferecer pistas sobre a direção da economia nacional nos próximos meses.



