Ibovespa registra alta de 1% com recuperação global após dias de turbulência
O Ibovespa opera em alta significativa nesta segunda-feira, 30 de março de 2026, marcando uma correção positiva após dois pregões consecutivos de forte queda. Por volta das 11h30, o principal índice da Bolsa brasileira subia 0,7%, alcançando os 182.813 mil pontos, enquanto o dólar recuava 0,24%, cotado a 5,235 reais. Esta recuperação ocorre em meio a um cenário global de alívio temporário, embora os investidores permaneçam atentos às notícias sobre a guerra no Oriente Médio.
Análises apontam para apetite ao risco, mas com cautela
Segundo Bruno Yamashita, coordenador de alocação e inteligência da Avenue, o leve apetite ao risco observado nesta segunda-feira é uma reação natural após um dia bastante negativo na sexta-feira, quando as bolsas globais sofreram quedas acentuadas. No entanto, Bruno Benassi, analista de Ativos na Monte Bravo, adverte que não se pode descartar novas quedas da Bolsa nos próximos dias.
Benassi destaca que há rumores no mercado de que os bancos centrais estão começando a precificar uma possível recessão devido ao prolongamento do conflito. "Se a guerra durar mais tempo, os bancos centrais, principalmente os Estados Unidos, podem ficar mais preocupados com a possibilidade da economia americana entrar em recessão do que com os impactos inflacionários do petróleo", explica o analista.
Tensões geopolíticas e ameaças de Trump elevam incertezas
O temor de uma guerra mais duradoura intensificou-se após novas declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. O republicano renovou suas ameaças contra alvos vitais no Irã, caso o regime dos aiatolás não aceite um cessar-fogo "em breve". No final de semana, Trump já havia mencionado a possibilidade de "tomar o petróleo" do país, referindo-se à estratégica Ilha de Kharg.
Teerã, por sua vez, rebateu que a proposta de Washington para encerrar o conflito é "excessiva" e "fora da realidade". O ocupante do Salão Oval ameaçou "obliterar" infraestruturas essenciais iranianas, como usinas de geração de energia elétrica, caso sua proposta de trégua com 15 pontos seja rejeitada. As ameaças também se estendem à Ilha de Kharg, responsável por 90% das exportações de petróleo do Irã, e a usinas de dessalinização.
Impactos potenciais no Irã e no mercado global
Embora o Irã não dependa tanto da dessalinização quanto seus vizinhos do Golfo, a destruição dessas instalações poderia causar um impacto considerável, especialmente quando somada à severa seca que afetou seus aquíferos no último ano. Os níveis de água nos cinco reservatórios de Teerã caíram para cerca de 10% de sua capacidade, agravando a situação.
Diante desse cenário, o mercado financeiro global apenas respira momentaneamente nesta segunda-feira, após duas quedas seguidas nos pregões anteriores. A possibilidade de novas quedas nos próximos dias permanece alta, refletindo o ambiente de incerteza e volatilidade decorrente do conflito no Oriente Médio.



