Guerra no Irã impulsiona petróleo a alta de 58% e preocupa economia global
Petróleo sobe 58% com guerra no Irã e afeta preços no Brasil

Guerra no Irã dispara preços do petróleo e ameaça economia mundial

O petróleo iniciou o segundo mês do conflito no Irã em forte alta, refletindo a escalada das tensões militares na região. Na noite deste domingo (29), os contratos futuros do barril Brent com vencimento em junho de 2026 eram negociados a US$ 108,74, registrando uma valorização de 3,28%, conforme dados da plataforma Investing.com.

Alta histórica e impacto no abastecimento global

Desde o início da guerra, em 28 de fevereiro, até a última sexta-feira (27), os futuros da commodity já haviam acumulado uma alta superior a 45%. Esse movimento é impulsionado principalmente pelo desabastecimento causado pelas interrupções no fluxo de petróleo através do Estreito de Hormuz, uma rota crítica que responde por aproximadamente 20% da produção mundial. Antes dos ataques, o Brent era cotado a US$ 72,48.

No contrato com vencimento em maio, a cotação chegou a atingir US$ 115,33 por barril, representando uma impressionante alta de 58% apenas no mês. Bruce Kasman, chefe global de economia do JPMorgan, alertou: "Quanto mais tempo o estreito permanecer fechado, maior será a redução nos estoques de reserva, o que poderá desencadear aumentos expressivos no preço do petróleo bruto, do gás natural e de outras commodities."

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Kasman complementou: "Um cenário em que o estreito permaneça fechado por mais um mês seria compatível com os preços do petróleo subindo em direção a US$ 150 por barril e com restrições aos consumidores industriais de energia."

Intensificação militar e tensões geopolíticas

Durante o fim de semana, os rebeldes houthis do Iêmen, aliados do Irã, realizaram pela primeira vez desde o início do conflito lançamentos de mísseis contra Israel. Simultaneamente, o exército israelense continuou com extensos ataques contra Teerã e expandiu sua invasão ao território do Líbano.

No domingo, Mohammad Bagher Ghalibaf, um dos principais líderes militares iranianos, acusou os Estados Unidos de utilizar esforços diplomáticos como uma cortina de fumaça para se preparar para operações terrestres. O comandante da Marinha do Irã, Shahram Irani, foi ainda mais direto, afirmando que o porta-aviões americano USS Abraham Lincoln será atacado se entrar em uma zona de alcance de tiro iraniano.

"Assim que o grupo aeronaval do USS Abraham Lincoln estiver ao alcance, vingaremos o sangue dos mártires do navio Dena lançando diferentes tipos de mísseis", declarou Irani em entrevista à televisão estatal, referindo-se à fragata iraniana afundada pelos EUA no início da guerra.

Impacto direto no Brasil e medidas governamentais

No Brasil, os reflexos da guerra são sentidos diretamente no bolso do consumidor. Segundo a ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás e Biocombustíveis), a gasolina foi vendida na semana passada, em média, a R$ 6,78 por litro. Esse valor representa um aumento de 8% em relação ao preço praticado antes do conflito, equivalente a R$ 0,50 por litro.

O litro do diesel S-10, por sua vez, custou em média R$ 7,57 na última semana. O aumento acumulado desde a semana anterior à guerra chega a 24%, ou R$ 1,48 por litro. Diante dessa disparada, os governos estaduais devem tomar uma decisão ainda nesta semana sobre a implementação de um subsídio ao diesel importado, com o objetivo de amortecer a alta nos preços.

A proposta do governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) prevê a criação de um subsídio extra de R$ 1,20 para compensar o aumento no preço do diesel importado. A União se comprometeu a bancar metade desse benefício, equivalente a R$ 0,60 por litro. Embora alguns estados já tenham manifestado apoio, a maioria dos governos locais deve definir sua posição nos próximos dias.

A preocupação com os efeitos inflacionários da alta dos combustíveis sobre a economia e a eleição de outubro levou a uma ação mais firme do governo federal. Na sexta-feira (27), a Polícia Federal deflagrou a operação Vem Diesel, com o objetivo de coibir supostos aumentos abusivos praticados por distribuidoras e postos. A operação integra uma ofensiva mais ampla do Planalto, que inclui fiscalizações conjuntas entre a ANP e o Ministério da Justiça.

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Preparações militares e diálogos internacionais

Segundo informações do jornal Washington Post, que cita autoridades americanas sob anonimato, o Pentágono se prepara para realizar operações terrestres de várias semanas em território iraniano. Essas ações não seriam uma invasão em grande escala, mas sim incursões conduzidas por forças especiais.

Um navio americano de assalto anfíbio, à frente de um grupo naval que inclui cerca de 3.500 fuzileiros navais e outros soldados, chegou na sexta-feira à região de operações do Comando Central das Forças Armadas americanas, sinalizando um possível aumento da presença militar na área.

Enquanto isso, no campo diplomático, representantes da Turquia, Paquistão, Egito e Arábia Saudita se reúnem neste domingo e na segunda-feira (30) em Islamabad, capital paquistanesa, para discutir o conflito. De acordo com fontes próximas às discussões ouvidas pela agência Reuters, os líderes estão focados principalmente em propostas relacionadas à situação no Estreito de Hormuz.

Preocupações com a economia global se aprofundam

Os ataques e contra-ataques em andamento contra refinarias, oleodutos, campos de gás e terminais de petroleiros no Golfo Pérsico ameaçam prolongar a dor econômica global por meses, ou até mesmo anos. A guerra no Irã, que já completou um mês, continua a gerar incertezas e volatilidade nos mercados internacionais de energia, com impactos que se estendem muito além das fronteiras do Oriente Médio.