Páscoa mais cara: preços dos ovos de chocolate disparam após crise global do cacau
A celebração da Páscoa neste ano promete ser menos doce para os bolsos dos brasileiros. Os preços dos ovos de chocolate dispararam, com a inflação do produto acumulando impressionantes 24,9% nos últimos 12 meses, conforme dados do IPCA-15 divulgados recentemente. Essa alta significativa ocorre como um reflexo tardio de uma grave crise mundial que afetou a produção de cacau, matéria-prima essencial para a fabricação do chocolate.
Crise do cacau ainda impacta os consumidores
Embora a cotação internacional do cacau tenha apresentado uma queda considerável, passando de um recorde de 12,5 mil dólares por tonelada em dezembro de 2024 para cerca de 2,5 mil dólares em março deste ano, a cadeia produtiva dos ovos de Páscoa ainda carrega os custos elevados do período crítico. A normalização da oferta de cacau está em curso, com projeções indicando um superávit de 200 mil toneladas para a safra 2025/2026, mas o repasse dos preços para o consumidor é defasado devido ao longo ciclo de planejamento e fabricação, que se inicia em agosto do ano anterior.
Adaptação das famílias e otimismo do setor
Com a Páscoa se aproximando, muitas famílias brasileiras estão se adaptando à realidade de preços mais altos. A tendência é que os consumidores optem por ovos de tamanhos menores ou substituam os tradicionais ovos por alternativas como barras e bombons, que costumam ter um custo mais acessível. Apesar desse cenário desafiador, o setor de chocolates no Brasil demonstra otimismo, impulsionado pela baixa taxa de desemprego e pelo crescimento da produção.
De acordo com a Associação Brasileira da Indústria de Chocolates, Amendoim e Balas (Abicab), a produção total de chocolates no país aumentou de 806 mil toneladas em 2024 para 814 mil toneladas no ano passado. Esse crescimento se reflete também na fabricação de ovos de Páscoa, que subiu de 45 milhões de unidades em 2025 para 46 milhões este ano, consolidando um ciclo de fabricação planejado que visa atender à demanda sazonal.
Origens da crise e perspectivas futuras
A escalada nos preços do cacau teve início em 2022, motivada por uma combinação de fatores adversos. Problemas climáticos na África Ocidental, região responsável por 70% da produção mundial, e uma infestação por fungos nas plantações da Costa do Marfim e Gana reduziram drasticamente a oferta global da commodity, elevando seus valores de negociação. Esses eventos criaram um cenário de escassez que, embora já esteja sendo superado, deixou marcas profundas nos custos de produção.
Olhando para o futuro, a expectativa é de que, com a normalização da oferta de cacau e o ajuste completo dos custos ao longo da cadeia produtiva, os preços dos chocolates possam estabilizar nas próximas temporadas. No entanto, para a Páscoa deste ano, a realidade é de um aumento significativo nos preços, exigindo dos consumidores uma maior flexibilidade e criatividade na hora de celebrar a data.



