Mercado financeiro ajusta projeções com alta do petróleo e inflação em ascensão
Diante do cenário de preços do petróleo em alta, o mercado financeiro elevou significativamente as previsões para a inflação e os juros no Brasil em 2026. Na Pesquisa Focus, a mediana da inflação subiu de 4,175% para 4,31%, com a mediana dos últimos cinco dias úteis alcançando 4,47%. O Itaú, que atualizou seu cenário em março, revisou a projeção do IPCA de 3,8% para 4,5% este ano.
Selic em alta e impacto no custo da dívida
Com a escalada inflacionária, o mercado já havia ajustado a meta terminal da Selic em 2026 para 12,50% na semana passada. O Itaú, que anteriormente esperava 12,25% em fevereiro, agora prevê uma Selic de 13% para este ano. Além disso, com a elevação do IPCA de 2027 de 3,9% para 4,1%, o banco também aumentou a previsão da Selic para 2027, de 11,25% para 12%.
O Itaú explica que, diante do choque do petróleo e da piora do cenário inflacionário, revisou a taxa Selic para 29 de abril, esperando uma baixa de apenas 0,25%, para 14,50%. Antes do conflito no Oriente Médio, o mercado esperava duas quedas de 0,50%, para 14,00%. Cada ponto adicional na Selic custa aproximadamente R$ 63 bilhões ao Tesouro Nacional, pressionando as contas públicas.
Expectativas de inflação no curto prazo
O cenário doméstico piorou na visão do mercado, conforme refletido na Pesquisa Focus. O IPCA de março subiu de uma mediana de 0,37% para 0,46%, com a mediana dos últimos cinco dias úteis chegando a 0,69%. Para abril, as expectativas aumentaram de 0,43% para 0,46% e 0,52% nos últimos cinco dias. Em maio, a variação foi de 0,30% para 0,31% e 0,33% na mediana dos últimos cinco dias úteis.
Câmbio e contas externas mantêm resiliência
O Itaú manteve as projeções para a taxa de câmbio em R$/US$ 5,40 em 2026 e R$/US$ 5,60 em 2027. O banco destacou que, apesar da incerteza externa devido ao conflito no Oriente Médio, o real tem se mostrado resiliente, apoiado pela melhora nos termos de troca e pelo diferencial de juros elevado. Nesta segunda-feira, o dólar era cotado a R$ 5,2350, com ligeira baixa de 0,05%.
Após o Banco Central revisar a projeção do déficit em conta corrente de US$ 60 para US$ 58 bilhões, o Itaú também reduziu suas projeções para US$ 66 bilhões em 2026, ante US$ 70 bilhões anteriormente, incorporando uma perspectiva de saldo comercial mais elevado.
PIB, desemprego e contas fiscais com ajustes moderados
O Itaú manteve as projeções de crescimento do PIB em 1,9% para 2026 e 1,7% para 2027. Para 2026, a ligeira revisão negativa na projeção de PIB mundial e a perspectiva de maior contração monetária serão compensadas pelo efeito positivo da elevação do preço do petróleo e por um cenário mais favorável para o crédito habitacional.
No mercado de trabalho, as estimativas para a taxa de desemprego foram preservadas em 5,7% em 2026 e 6,0% em 2027. Nas contas fiscais, o banco revisou as projeções de resultado primário para -0,5% do PIB em 2026 e -0,6% em 2027, ante -0,8% e -0,9% anteriormente, respectivamente.
Juros elevados asfixiam famílias e empresas
O Banco Central divulgou estatísticas alarmantes do crédito em fevereiro. O custo dos recursos livres para as famílias subiu 5,4% em 12 meses, chegando a 60,1% ao ano, aproximadamente quatro vezes a Selic, que estava em 15% ao ano. Com juros tão altos e comprometimento de 29,3% da renda em janeiro, a inadimplência das pessoas físicas atingiu o recorde de 6,9% em fevereiro nos recursos livres.
Para as pessoas jurídicas, o custo médio dos recursos livres era de 24,9% em fevereiro, com aumento de 1,1 ponto em 12 meses, e a inadimplência alcançou 3,3%, com alta de 0,4 ponto no mesmo período. Este cenário evidencia os desafios enfrentados por consumidores e empresas diante da política monetária restritiva.



