Dólar cai a R$ 5,187 e atinge mínima em quase dois anos; Bolsa sobe a 186 mil pontos
Dólar em mínima de quase 2 anos; Bolsa bate recorde

Dólar atinge mínima histórica e Bolsa brasileira fecha em alta recorde

O mercado financeiro brasileiro registrou movimentos significativos nesta segunda-feira (9), com o dólar comercial fechando em forte queda e a Bolsa de Valores alcançando um patamar inédito. A moeda americana se desvalorizou 0,61%, sendo cotada a R$ 5,187 no fechamento, renovando assim sua mínima em quase dois anos.

Queda do dólar atinge patamar histórico

O último registro semelhante ocorreu em 28 de maio de 2024, há aproximadamente 21 meses, quando a divisa norte-americana encerrou o dia a R$ 5,160. Esse movimento de desvalorização ocorreu dentro de um cenário global de maior apetite ao risco por parte dos investidores.

Um dos principais fatores por trás dessa queda foi um alerta emitido por autoridades chinesas às instituições financeiras do país. As orientações recomendavam a redução da exposição aos títulos do Tesouro dos Estados Unidos, conhecidos como Treasuries, devido a preocupações com concentração de risco e volatilidade.

Higor Rabelo, especialista da Valor Investimentos, explica que "esse movimento pressionou o dólar, uma vez que o maior comprador de Treasuries - e grande gerador de demanda por dólares - reduziu sua atuação". No cenário internacional, o índice DXY, que mede o desempenho do dólar frente a outras seis moedas fortes, registrou queda de 0,80%.

Bolsa brasileira atinge marco histórico

Enquanto o dólar caía, o mercado acionário brasileiro apresentava desempenho oposto. O Ibovespa, principal índice de referência da Bolsa, avançou expressivos 1,79%, fechando aos 186.241 pontos. Esta foi a primeira vez na história que o indicador superou a marca dos 186 mil pontos.

O desempenho positivo foi impulsionado principalmente pelo bom desempenho das ações da Vale e dos grandes bancos nacionais. Paula Zogbi, estrategista-chefe da Nomad, destaca que "a valorização do real durante o dia é reflexo de um bom momento em 2026", apoiado em boas perspectivas para mercados emergentes e expectativas de cortes na taxa Selic.

Cenário internacional influencia mercados

Além do alerta chinês, outros fatores internacionais contribuíram para o movimento observado nos mercados brasileiros. No Japão, o Partido Liberal Democrático, liderado pela primeira-ministra Sanae Takaichi, conquistou vitória expressiva nas eleições, garantindo 316 assentos na Câmara Baixa - muito além dos 233 necessários para maioria simples.

Bruno Perri, economista-chefe e sócio-fundador da Forum Investimentos, analisa que "os resultados da eleição japonesa que trazem ao país um panorama de expansão fiscal e cortes de impostos ajudaram a impulsionar o apetite global por risco". As ações japonesas atingiram níveis recordes após o anúncio dos resultados.

Contexto doméstico e perspectivas do Banco Central

No ambiente nacional, a participação do presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, em evento promovido pela ABBC (Associação Brasileira de Bancos) também influenciou o pregão. O dirigente reforçou que a autarquia manterá uma condução gradual da política monetária brasileira.

Galípolo sinalizou que o ritmo de cortes na taxa Selic acompanhará indicadores econômicos, afirmando que "a gente está numa situação diferente do que estávamos naquele momento quando a gente concluiu a alta (dos juros)... Mas também esta não é uma volta da vitória".

A fala está alinhada com a ata do Copom divulgada na semana anterior, que sinalizou possível corte da taxa Selic em março, após melhora do cenário inflacionário. Alexandre Viotto, chefe de banking da EQI Investimentos, comenta que "a leitura predominante é de que o ciclo de cortes de juros deve ser suave".

Balanços corporativos e fluxo de investimentos

A temporada de balanços também seguiu no radar dos analistas. O BTG Pactual divulgou resultados do quarto trimestre de 2025, registrando alta anual de 40,3% no lucro, alcançando R$ 4,6 bilhões no período - levemente acima das expectativas do mercado.

Segundo levantamento da consultoria Elos Ayta, o volume aportado por investidores estrangeiros na B3 em janeiro deste ano já superou a soma total do ano de 2025, indicando forte interesse internacional pelo mercado brasileiro.

O comportamento observado deve beneficiar o chamado "carry trade" brasileiro, estratégia na qual investidores pegam dinheiro emprestado a taxas mais baixas (como as dos EUA) para aplicar em ativos com maior rentabilidade (como a renda fixa brasileira). Quanto mais atrativo esse mecanismo, mais dólares tendem a entrar no país.