Dólar atinge menor nível em dois anos e reacende dúvida entre investidores
O dólar voltou a operar nas mínimas dos últimos dois anos, reacendendo a dúvida entre investidores: é o momento ideal para comprar ou ainda há espaço para novas quedas? A recente valorização do real tem sido sustentada por um forte fluxo de capital estrangeiro para o Brasil, impulsionado pelo diferencial de juros ainda elevado e pela melhora no apetite global por risco.
Esse movimento ajudou a descolar os ativos brasileiros do cenário internacional, favorecendo a queda da moeda americana. Para Leonardo Santana, especialista em investimentos e sócio da Top Gain, o Brasil continua atrativo mesmo com a perspectiva de cortes na taxa básica de juros.
“Ainda temos um dos maiores juros reais do mundo, o que gera uma percepção de segurança e atrai capital estrangeiro”, afirma Santana.
Segundo ele, esse fluxo deve continuar sustentando o real, especialmente se houver redução de juros nos Estados Unidos, o que ampliaria a migração de recursos para mercados emergentes. Nesse cenário, Santana vê espaço para o dólar cair ainda mais, podendo oscilar entre 4,90 reais e 5,00 reais.
Recomendação de cautela na estratégia de compra
Ainda assim, ele recomenda cautela na estratégia. “É um bom momento para comprar dólar, mas de forma gradual, fazendo preço médio, principalmente para quem tem objetivos como viagens internacionais”, diz. Por outro lado, a dinâmica recente do câmbio também carrega sinais de alerta.
Para Tomás Roque, analista de alocação e inteligência da Avenue, o fortalecimento do real não ocorre de forma linear e depende fortemente do cenário externo. Segundo ele, o início do ano foi marcado por uma forte entrada de recursos em mercados emergentes, mas esse fluxo perdeu força com a escalada das tensões geopolíticas.
“Quando aumenta a aversão ao risco, o dinheiro tende a voltar para os Estados Unidos, que ainda é visto como porto seguro”, explica Roque.
Fatores que podem influenciar o comportamento do dólar
Roque destaca ainda que o Brasil se beneficiou parcialmente da alta do petróleo, o que favorece a balança comercial e contribui para a valorização do real. No entanto, esse efeito pode ser temporário diante de um cenário global ainda incerto.
Outro ponto de atenção é o ciclo de queda de juros no Brasil. “Com a Selic em trajetória de corte, o país pode perder parte da atratividade que trouxe esse capital estrangeiro recentemente”, afirma. Além disso, fatores domésticos também entram na conta.
O segundo semestre deve ser marcado por maior volatilidade, especialmente por conta do cenário eleitoral, o que pode pressionar novamente o câmbio. “O dólar pode até chegar a R$ 5, mas isso não significa que seja um nível sustentável”, avalia Roque.
Postura equilibrada é a recomendação dos especialistas
Diante desse contexto, a recomendação dos especialistas converge para uma postura equilibrada. Embora o patamar atual represente uma oportunidade, especialmente para quem precisa da moeda no curto prazo, o ambiente ainda exige cautela.
Entre fluxo estrangeiro, política monetária e incertezas globais, o comportamento do dólar segue longe de uma trajetória linear, e deve continuar sensível a qualquer mudança no cenário. Os investidores devem monitorar de perto os seguintes fatores:
- Decisões de política monetária no Brasil e nos Estados Unidos
- Evolução das tensões geopolíticas internacionais
- Cenário eleitoral brasileiro no segundo semestre
- Flutuações nos preços das commodities, especialmente petróleo
A análise cuidadosa desses elementos será crucial para tomar decisões informadas sobre o momento ideal para comprar dólar, considerando tanto as oportunidades quanto os riscos presentes no mercado cambial.



