O preço do diesel no Brasil registrou um aumento expressivo nas últimas semanas, com destaque para o Estado de São Paulo, onde o combustível alcançou valores próximos a R$ 10 por litro. Dados divulgados pela Agência Nacional de Petróleo (ANP) neste sábado, 28 de março de 2026, revelam que o preço médio do diesel S10 disparou 24,3% entre 28 de fevereiro e 28 de março, saltando de R$ 6,09 para R$ 7,57.
Alta histórica e impacto regional
O preço máximo do diesel chegou à marca de R$ 9,99, sendo revendido especificamente no Estado de São Paulo, que agora detém o título de região com o combustível mais caro do país. Em contraste, o Rio de Janeiro apresenta o preço mais baixo, com o litro sendo comercializado a R$ 5,69. Essa disparidade regional reflete as variações nos custos de distribuição e tributação em diferentes estados brasileiros.
Causas da elevação dos preços
A principal causa para essa alta significativa é a guerra no Oriente Médio, que começou em 28 de fevereiro e provocou uma disparada de 49% nos preços do petróleo no mercado internacional. Esse cenário geopolítico instável afeta diretamente os custos de importação e refino no Brasil, pressionando os valores finais ao consumidor.
Além do diesel, a gasolina também registrou aumento, embora em menor proporção. Nos últimos 30 dias desde o início do conflito, o preço médio da gasolina subiu 7,9%, atingindo R$ 6,78. O Estado de São Paulo lidera novamente com a gasolina mais cara do Brasil, onde o litro é vendido a R$ 9,39 na cidade do Guarujá.
Respostas do governo e fiscalização
Os preços dos combustíveis têm sido um desafio constante para os governos brasileiros, com reclamações recorrentes durante os mandatos de Dilma Rousseff, Michel Temer, Jair Bolsonaro e atualmente no governo do presidente Lula. Temer foi o único a enfrentar diretamente a greve dos caminhoneiros em 2018, um evento que se tornou um dos maiores pesadelos para quem ocupa o Palácio do Planalto.
Para evitar uma situação similar, o governo Lula tentou pressionar os estados a reduzirem o Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), mas não obteve sucesso. Em contrapartida, o governo federal intensificou as fiscalizações nos postos de combustíveis para coibir preços abusivos.
Ações da ANP e penalidades
Em nota, a ANP informou que fiscalizou 342 agentes regulados, incluindo 78 distribuidoras, em operações conjuntas com o Ministério da Justiça. Durante essas inspeções, foram lavrados 16 autos de infração por indícios de prática de preço abusivo. Em um caso específico, foram encontrados sinais de aumento de 277% na margem bruta do diesel.
Em três situações, unidades da mesma distribuidora foram autuadas em dois estados diferentes. As empresas que agora são alvo de processos administrativos pela agência incluem:
- Alesat
- Ciapetro
- Flagler
- Ipiranga
- Masut
- Nexta
- Phaenarete
- Raízen
- Royal Fic
- SIM Distribuidora
- Stang
- TDC
- Vibra Energia
Essas medidas visam garantir transparência e justiça nos preços, mas especialistas alertam que a volatilidade internacional continua sendo um fator crítico para a estabilidade dos combustíveis no Brasil.



