Empresa espanhola Aena vence leilão do Aeroporto do Galeão com lance de R$ 2,9 bilhões
Aena vence leilão do Galeão com lance de R$ 2,9 bilhões

Empresa espanhola Aena conquista concessão do Aeroporto do Galeão em leilão histórico

A empresa espanhola Aena venceu o leilão para administrar o Aeroporto Internacional Tom Jobim, popularmente conhecido como Galeão, no Rio de Janeiro. O lance vencedor foi de impressionantes R$ 2,9 bilhões, valor que superou em mais de três vezes o mínimo exigido de R$ 932 milhões e ultrapassou as expectativas do mercado, que giravam em torno de R$ 1,5 bilhão.

Disputa acirrada entre concorrentes internacionais

O processo competitivo contou com três participantes: a espanhola Aena, a suíça Zurich Airport e o consórcio Rio de Janeiro Aeroporto, atual concessionário que detém 51% do negócio. Enquanto o consórcio atual apresentou proposta próxima ao valor mínimo, de R$ 934 milhões, as empresas Aena e Zurich empataram inicialmente com ofertas de R$ 1,5 bilhão cada.

A competição então avançou para a fase de lances em viva voz, com mais de 20 rodadas de disputa onde as empresas chegaram a competir por centavos. Após intensa batalha, a Aena saiu vitoriosa, garantindo o direito de administrar o terceiro maior aeroporto do Brasil até o ano de 2039.

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Contexto de recuperação do aeroporto carioca

O Galeão enfrentou tempos difíceis nos últimos anos, especialmente durante a pandemia, quando viu seus saguões esvaziarem-se e o número de passageiros despencar. Com os voos nacionais concentrando-se no Aeroporto Santos Dumont, mais próximo do centro da cidade, o aeroporto internacional ficou subutilizado a ponto de o consórcio Rio Galeão ameaçar devolver a concessão.

Em 2023, no entanto, os governos municipal, estadual e federal implementaram um plano de recuperação que limitou o número de passageiros no Santos Dumont e transferiu rotas para o Galeão. A estratégia funcionou: enquanto o movimento no Santos Dumont reduziu, o Galeão viu seus passageiros aumentarem para quase 18 milhões em 2025.

Impactos positivos e perspectivas futuras

Essa coordenação entre os aeroportos cariocas resultou em um aumento significativo no número total de pessoas que embarcaram ou desembarcaram na cidade do Rio de Janeiro - saltando de 18,9 milhões em 2023 para 23,5 milhões em 2025, um crescimento de 24%. Uma das explicações é que o Galeão passou a receber mais voos internacionais com conexões para outras cidades brasileiras.

Segundo a atual concessionária, o aeroporto ainda opera abaixo da capacidade, podendo receber até 37 milhões de passageiros anualmente. A Aena, que já administra outros 17 aeroportos brasileiros incluindo o movimentado Congonhas em São Paulo, terá que repassar à União 20% do faturamento bruto anual.

O economista Cláudio Frischtak comentou sobre o acordo: "Óbvio, se houver choque de grande repercussão, o governo compartilha desse risco. Se, por outro lado, o aeroporto continuar na curva de crescimento muito acentuada, o governo também compartilha dessa melhora".

Com a saída da Infraero, que detinha os 49% restantes da concessão, a Aena assume completamente a gestão de uma infraestrutura estratégica para o turismo e a economia do Rio de Janeiro, marcando um novo capítulo na história da aviação brasileira.

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