Brasil busca replicar modelo do pré-sal na exploração de terras raras
O governo brasileiro, sob a liderança do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, está articulando com o deputado federal Arnaldo Jardim a elaboração de um relatório sobre minerais críticos. O objetivo é permitir a exploração desses recursos nos mesmos moldes do bem-sucedido modelo do pré-sal. A informação foi divulgada pelo colunista Robson Bonin, em 26 de abril de 2026.
A proposta visa criar um marco regulatório que favoreça a exploração nacional de terras raras, minerais essenciais para a indústria de alta tecnologia, como fabricação de ímãs, baterias e equipamentos eletrônicos. No entanto, uma questão central ainda não foi resolvida: quem assumirá o papel de explorador prioritário, similar ao desempenhado pela Petrobras no setor de petróleo e gás.
O governo federal tem negado a possibilidade de criação de uma nova estatal para gerir e explorar esses minerais. A dúvida sobre o modelo institucional adequado permanece, enquanto o setor privado demonstra interesse. Na semana passada, a empresa norte-americana USA Rare Earth anunciou a compra da mineradora brasileira Serra Verde, localizada em Goiás, por cerca de 2,8 bilhões de dólares. A Serra Verde é a única planta de exploração industrial de terras raras em operação no Brasil.
Contexto da exploração de terras raras no Brasil
O Brasil possui uma das maiores reservas de terras raras do mundo, mas a exploração comercial ainda é incipiente. O modelo do pré-sal, que garantiu à Petrobras a operação prioritária e uma participação estatal robusta, é visto como referência para alavancar o setor. Contudo, a ausência de uma definição sobre o ente explorador pode atrasar os investimentos e a soberania nacional sobre esses recursos estratégicos.
Especialistas apontam que a exploração de terras raras é crucial para a transição energética e a independência tecnológica do país. Enquanto isso, o governo continua as negociações com o Congresso e o setor produtivo para definir o arcabouço legal que viabilize a exploração nos moldes desejados.
O relatório encomendado a Arnaldo Jardim deve propor soluções para o impasse, equilibrando interesses públicos e privados. A expectativa é que o documento seja concluído nos próximos meses e sirva de base para uma futura legislação.



