O preço do café experimentou uma disparada significativa ao longo dos últimos anos, consolidando-se como o item que mais encareceu na cesta básica do consumidor brasileiro. De acordo com análises recentes, o valor do produto subiu impressionantes 116% em um período de quatro anos, um aumento que tem impactado diretamente o orçamento das famílias e gerado preocupações no setor.
Fatores por trás da alta expressiva do café
Dois elementos principais têm sido apontados como os grandes responsáveis por essa escalada nos preços. Em primeiro lugar, as mudanças climáticas têm afetado severamente a produção cafeeira, tanto no Brasil quanto em outras regiões produtoras ao redor do mundo. Eventos climáticos extremos, como secas prolongadas e geadas inesperadas, comprometeram as safras, reduzindo a oferta disponível no mercado.
Além disso, a alta demanda no mercado internacional tem exercido uma pressão adicional sobre os preços. Países consumidores, especialmente na Europa e na Ásia, têm aumentado suas importações de café, buscando suprir suas necessidades internas. Essa combinação de oferta reduzida e procura aquecida criou um cenário propício para a valorização do produto.
Perspectivas para 2026: cenário de preços elevados deve continuar
Especialistas do setor alertam que a situação não deve se normalizar rapidamente. As projeções indicam que os preços do café devem permanecer elevados ao longo de 2026, mantendo a tendência de alta observada nos últimos anos. A escassez de estoques mundiais é um dos fatores que contribui para essa perspectiva, uma vez que os níveis de reservas estão abaixo do considerado ideal para equilibrar o mercado.
Os problemas climáticos que afetaram a produção nos últimos ciclos também continuam a ser uma preocupação. A incerteza em relação às condições meteorológicas para as próximas safras mantém os agentes do mercado em alerta, com receio de novos eventos que possam prejudicar ainda mais a oferta.
Para o consumidor brasileiro, isso significa que o café, item tão tradicional e presente no dia a dia, deve continuar pesando no bolso. A alta nos preços tem reflexos diretos na inflação e no poder de compra, especialmente para as famílias de baixa renda, que destinam uma parcela significativa de seus recursos para a alimentação.
Diante desse cenário, produtores, indústria e governo precisam buscar estratégias para mitigar os impactos, seja através de investimentos em tecnologias que aumentem a resiliência das lavouras, seja por meio de políticas que auxiliem no equilíbrio entre oferta e demanda. A situação do café serve como um alerta sobre como fatores globais e ambientais podem influenciar diretamente a economia doméstica e o cotidiano das pessoas.