Prefeito de Poços de Caldas destrói cocho histórico em ato público
A Câmara Municipal de Poços de Caldas, em Minas Gerais, aprovou um requerimento que questiona a atitude do prefeito Paulo Ney, do PSD, que destruiu um cocho tombado durante um ato público realizado na segunda-feira, dia 16. O evento oficializou o fim do serviço de charretes a cavalo na cidade, mas gerou polêmica ao envolver a demolição de uma estrutura considerada patrimonial.
Vereadores criticam desrespeito à história local
O vereador Thiago Mafra, do PT, apresentou o requerimento, aprovado por unanimidade, que questiona a legalidade do ato do prefeito e se houve autorização dos órgãos responsáveis. Os parlamentares entenderam que a destruição do cocho, usado como bebedouro para os animais das charretes, representa um desrespeito à história de Poços de Caldas e aos charreteiros que trabalhavam no local.
Segundo o vereador, a praça Getúlio Vargas, onde o cocho estava localizado, integra o Complexo Hidrotermal e Hoteleiro de Poços de Caldas, tombado pelo estado desde 1989 e pelo município desde 2006. Ele destacou que a Lei Orgânica da cidade proíbe a descaracterização de espaços tombados sem autorização legislativa, e uma lei complementar de 2006 estabelece que bens protegidos não podem ser destruídos, alterados ou restaurados sem autorização prévia do Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Artístico, Cultural e Turístico (CONDEPHACT).
Controvérsia sobre o tombamento do cocho
A Divisão de Patrimônio Construído e Tombamento (DPCT) informou que o cocho não é tombado e foi construído recentemente. A prefeitura, por sua vez, afirmou que a estrutura foi reconstruída na sexta-feira, dia 13, antes do ato público. No entanto, a gestão municipal não comentou sobre a atitude do prefeito em usar uma marreta para quebrar as pedras do cocho, acompanhado de protetores da causa animal.
Embora o cocho tenha sido refeito, a estrutura ficou descaracterizada. As pedras foram cimentadas e a fonte de água foi retirada, sendo substituída por terras e plantas. Isso levantou preocupações sobre a preservação do patrimônio histórico da cidade.
Historiador defende conservação e sinalização
O professor e historiador Hugo Pontes argumenta que, como a praça é tombada, todos os elementos nela devem ser preservados. Ele defende que o local deva ser conservado e, inclusive, sinalizado para registrar a existência das charretes naquele local por décadas como fato histórico da cidade.
"A prefeitura deveria colocar uma placa, porque as futuras gerações talvez não venham a se lembrar disso, como nós que estamos presenciando a situação na nossa época", afirmou o historiador, enfatizando a importância de manter viva a memória das charretes, que foram uma parte significativa da cultura local.
Substituição das charretes por carruagens elétricas
Apesar de as charretes a cavalo terem sido extintas em Poços de Caldas, as carruagens elétricas, que deveriam substituí-las, ainda não têm prazo para começar a operar. Isso deixa uma lacuna no serviço de transporte turístico da cidade, enquanto a polêmica sobre a destruição do cocho continua a gerar debates sobre a gestão do patrimônio histórico e a transição para alternativas mais modernas.
O caso ilustra os desafios enfrentados por municípios que buscam modernizar seus serviços sem descuidar da preservação de sua herança cultural e histórica, especialmente em locais com áreas tombadas que requerem cuidados especiais.



