Prazo para retirada de 400 toneladas de lixo em Fernando de Noronha é descumprido
Prazo para retirar lixo em Noronha não é cumprido

Prazo para retirada de 400 toneladas de lixo em Fernando de Noronha é descumprido

A Administração de Fernando de Noronha determinou, na quarta-feira (11), a retirada de 400 toneladas de lixo da ilha em um prazo máximo de 48 horas. O serviço deveria ter sido executado pela empresa Ambipar, responsável pela limpeza urbana no arquipélago. No entanto, o prazo estabelecido terminou na sexta-feira (13) e a ordem não foi cumprida pela contratada.

Até esta segunda-feira (16), o volume de resíduos na usina de tratamento continua praticamente o mesmo, conforme apuração da reportagem. A situação compromete seriamente o funcionamento do serviço de coleta, além de representar um risco significativo para a segurança sanitária e ambiental da ilha, conforme destacado pelo governo local.

Multa e notificações ambientais

Na quinta-feira (12), a Agência Estadual de Meio Ambiente (CPRH) aplicou uma multa de R$ 700 mil à Ambipar devido ao acúmulo irregular de lixo e aos riscos ambientais decorrentes. Paralelamente, o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) notificou a Administração de Fernando de Noronha pelo mesmo problema, estabelecendo também um prazo de 48 horas para a adoção de providências.

Atualmente, a área da usina está ocupada por grandes montes de resíduos, evidenciando a gravidade da situação. A reportagem procurou a Ambipar para esclarecer os motivos do descumprimento do prazo, mas não obteve resposta até a última atualização. A Administração da Ilha também foi contactada para informar quais medidas serão tomadas após a falha, sem retorno até o momento.

Exoneração e viagem polêmica

Em meio à crise, o governo local anunciou, na sexta-feira (13), a exoneração do superintendente de Infraestrutura da Administração da Ilha, Sérgio Soares de Souza Costa. Curiosamente, um dia antes, na quinta-feira (12), ele viajou de carona em um avião da empresa Ambipar, juntamente com o assessor jurídico do governo local, André Luiz Pereira de Azevedo, com destino ao Recife.

A Administração de Fernando de Noronha foi questionada sobre um possível afastamento do servidor André Azevedo, mas não confirmou a informação até a última atualização desta reportagem. A situação levanta questões sobre a relação entre os gestores públicos e a empresa multada, em um contexto de descumprimento de prazos críticos para a gestão ambiental.

O acúmulo de lixo em Fernando de Noronha não é um problema novo. Reportagens anteriores já haviam destacado que mais de 5 mil toneladas de resíduos se acumulam na usina, com empresas envolvidas trocando acusações sobre responsabilidades. A falta de cumprimento do prazo atual agrava a crise, exigindo ações imediatas para proteger o frágil ecossistema da ilha.