Governo federal estabelece regras para refino de petróleo na Zona Franca de Manaus
Novas regras para refino de petróleo na Zona Franca de Manaus

Governo federal estabelece regras para refino de petróleo na Zona Franca de Manaus

Uma portaria publicada pelo governo federal estabeleceu regras específicas para o refino de petróleo na Zona Franca de Manaus (ZFM), fixando o chamado Processo Produtivo Básico (PPB) para derivados essenciais como gasolina, diesel, querosene e gás de cozinha. A medida, publicada no Diário Oficial da União na quinta-feira (19), permite que a Refinaria da Amazônia (Ream) possa obter benefícios fiscais significativos, desde que passe a seguir as novas normas que estimulam o refino local.

O que é o Processo Produtivo Básico (PPB)?

O PPB é um conjunto de regras que define quais etapas mínimas de fabricação precisam ser realizadas no Brasil para que um produto seja considerado nacional. Na prática, determina o que a empresa precisa produzir ou montar dentro do país, ao invés de apenas importar o produto pronto. Entre as etapas obrigatórias estão a filtração e decantação do petróleo bruto, destilação fracionada, processos de conversão, mistura de insumos e armazenamento — todas devendo ocorrer na própria Zona Franca de Manaus.

Limites para insumos e aplicação dos benefícios

A norma também estabelece limites rigorosos para a utilização de insumos intermediários, chamados de “booster”, que podem ser adquiridos no Brasil ou no exterior. Os percentuais variam conforme o produto, podendo chegar a 75% no caso do querosene de aviação e 65% para o diesel. Outro ponto crucial previsto é que os benefícios fiscais se aplicam apenas aos produtos destinados ao consumo dentro da Zona Franca de Manaus. Caso sejam comercializados para outras regiões do país, será necessário o recolhimento integral dos tributos que haviam sido suspensos ou isentos.

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Setor avalia medida como 'avanço' para a região

A expectativa é que o estímulo ao refino na própria Ream ajude a diminuir os custos para o consumidor em troca da isenção de imposto para a empresa. Segundo a refinaria, o refino voltou a ser realizado no local em novembro de 2025, após meses de interrupção devido à manutenção. Para o vice-presidente de refino e negócios Logísticos da Refinaria do Amazonas, Fagner Jacques, a publicação da portaria representa um avanço para o setor de refino na região.

“Isso é uma vitória para a indústria do refino na Zona Franca de Manaus, especialmente pelo fato de que hoje essa portaria iguala o direito da indústria do refino ao direito das outras indústrias que existem na Zona Franca de Manaus”, afirmou Jacques. Segundo ele, a regulamentação traz mais segurança jurídica e fortalece a competitividade do polo industrial, ao estabelecer regras claras semelhantes às aplicadas a outros segmentos já consolidados na ZFM.

Posicionamento da REAM sobre o mercado regional

A REAM esclareceu ainda que não atua de forma isolada no abastecimento nem na formação de preços dos combustíveis na região. "A REAM vende aos distribuidores de combustíveis cerca de 30% do volume comercializado pelos postos do Estado do Amazonas e 5% do volume comercializado pelos postos da Região Norte, sendo o restante suprido por múltiplos agentes que operam na região, incluindo Petrobras, importadores e operadores logísticos", informou a REAM por meio de nota oficial.

Essa medida governamental visa não apenas incentivar a produção local, mas também garantir que os benefícios fiscais sejam direcionados corretamente, promovendo o desenvolvimento econômico sustentável da região amazônica.

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