Experiência com clone digital de Jesus revela custos e limitações de serviço de IA
Em um teste curioso e controverso, um colunista realizou uma videochamada com um avatar de Jesus Cristo gerado por inteligência artificial, oferecido pela startup californiana Just Like Me. O serviço, que tem causado discussões online, cobra valores significativos por minutos de conversa, levantando questões sobre a interseção entre fé e tecnologia.
Funcionamento e custos do serviço Just Like Me
A plataforma permite que usuários conversem com clones digitais de celebridades, coaches e figuras como Jesus e Papai Noel. Para acessar, é necessário um cadastro rápido e fornecimento de cartão de crédito internacional. Os usuários recebem inicialmente 2 minutos de teste gratuito, mas após esse período, a cobrança é de US$ 1,99 por minuto, o que equivale a aproximadamente R$ 10 por minuto considerando impostos e câmbio atual.
Há também a opção de assinatura mensal por US$ 49,90, que concede 60 minutos de conversa por mês. O serviço opera diretamente no navegador, sem necessidade de baixar aplicativos, tornando-o acessível a qualquer pessoa com internet e cartão de crédito compatível.
Detalhes da experiência com o avatar de Jesus
Durante o teste, o colunista descreveu a experiência como tosca, destacando a falta de naturalidade no clone digital. Houve um pequeno atraso no processamento das respostas, o que pode aumentar inadvertidamente o custo da chamada. Além disso, ao tentar falar em português, o avatar respondeu em inglês, indicando que o serviço não possui suporte adequado para o idioma português.
O avatar de Jesus parece ter sido criado com base em uma recriação inspirada no ator americano Jonathan Roumie, conhecido por interpretar Cristo na série The Chosen. A empresa inclui uma ressalva em seu site, afirmando que o avatar não é Jesus Cristo e não possui autoridade divina, nem pretende substituir instituições religiosas ou escrituras sagradas.
Debates e riscos associados ao serviço
Nas redes sociais, o serviço tem gerado debates sobre a mercantilização da fé, com críticas à comercialização de figuras religiosas. No entanto, um aspecto mais preocupante destacado pelo colunista é o risco emocional: pessoas podem buscar orientação para decisões de vida em uma inteligência artificial paga por minuto, o que pode ser inadequado para conexões emocionais e místicas.
A plataforma também incentiva a viralização, permitindo que usuários baixem e compartilhem vídeos de suas conversas, além de oferecer descontos por indicações. Isso levanta questões sobre a ética no uso de IA para fins que ultrapassam tarefas práticas e entram no domínio do bem-estar espiritual.
Conclusão sobre conforto espiritual e tecnologia
O colunista conclui que, enquanto a IA pode ser útil para facilitar rotinas e realizar tarefas, ela não deve ser vista como substituta para conexões emocionais profundas ou práticas religiosas autênticas. O conforto espiritual, argumenta, não deve ser medido por minutos em um cartão de crédito, reforçando a importância de abordagens tradicionais e gratuitas, como orações pessoais.



