Rapper Oruam lança clipe como foragido após 66 violações à tornozeleira eletrônica
Oruam lança clipe como foragido após violar tornozeleira 66 vezes

Rapper Oruam lança clipe como foragido após 66 violações à tornozeleira eletrônica

O rapper Mauro Davi dos Santos Nepomuceno, conhecido artisticamente como Oruam, lançou nesta terça-feira, 24 de fevereiro de 2026, um novo clipe intitulado Freestyle de um Foragido. O lançamento ocorre em um contexto delicado, pois o artista teve seu habeas corpus revogado pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) no mês de fevereiro, após acumular impressionantes 66 violações ao uso da tornozeleira eletrônica. Atualmente, Oruam é considerado foragido pela justiça brasileira, o que adiciona um tom de provocação e resistência à sua produção musical.

Contexto criminal e acusações graves

O artista responde judicialmente por duas tentativas de homicídio qualificado, decorrentes de um episódio no ano passado em que teria lançado pedras contra policiais durante uma operação. Além dessas acusações graves, Oruam também enfrenta processos por tráfico de drogas, associação ao tráfico, resistência, desacato, dano, ameaça e lesão corporal. O quadro jurídico é complexo e reflete uma trajetória marcada por confrontos com a lei.

Análise do conteúdo do clipe e referências pessoais

O vídeo musical inicia com trechos de matérias jornalísticas que discutem a possível prisão do rapper, criando imediatamente uma atmosfera de tensão e perseguição. Em seguida, Oruam aparece deitado em uma cama, usando uma balaclava na cabeça e com a tornozeleira eletrônica visível em seu pé. A letra da música é carregada de emoção e reflexão, com versos como: "Desculpa, eu não vim 'pra' ser qualquer um. Enquanto muitos 'tão' vendo, 'tão' se fingindo de cego. Sou gangstar, não faço essa p**** por ego, mas 'to' lutando 'pra' caramba 'pra' onde eu quero".

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Em outro momento, o artista parece fazer uma profunda reflexão sobre o mandado de prisão que pesa contra ele, cantando: "F*** quando o monstro 'tá' tentando te pegar, tipo um sonho longo, eu não consigo acordar. Até tento me recordar a última noite que eu dormi sem ansiedade no meu peito". Curiosamente, antes da divulgação do clipe, sua defesa apresentou um laudo psíquico que apontou um quadro clínico compatível com transtorno de ansiedade associado a transtorno depressivo moderado, o que pode explicar parte do conteúdo emocional da obra.

Referências bíblicas e influência familiar

Oruam, que cresceu em ambiente religioso, incorpora diversas referências bíblicas em sua letra, demonstrando uma busca por significado espiritual em meio ao caos. Ele cita: "Me jogaram na prisão, me esqueceram lá dentro, igual fez com José. Judas era falso, se vendeu por uma moeda. Davi era fraco, mas só tinha uma pedra. Jesus foi levado 'pra' o deserto 'pra' ser tentado pelo diabo". Essas analogias sugerem uma tentativa de contextualizar sua própria luta dentro de narrativas históricas de sofrimento e redenção.

Além disso, o rapper faz referência direta ao seu pai, Márcio dos Santos Nepomuceno, conhecido como Marcinho VP, chefe histórico do Comando Vermelho (CV) preso há quase três décadas. Nos versos, Oruam expressa: "Tenta me pegar, mas sempre sobressai. Acho que 'to' lutando a guerra do meu pai. Acho que 'to' pagando um pecado que nem é meu. Eles 'tão' me julgando, parecendo que é Deus". Essa conexão familiar adiciona uma camada significativa à sua narrativa, sugerindo que ele sente o peso do legado criminoso paterno.

Impacto cultural e jurídico do lançamento

O lançamento deste clipe em um momento de fuga da justiça levanta questões importantes sobre a interseção entre arte, crime e liberdade de expressão no Brasil. Oruam declara no início da música que não é bandido, apenas conhece "uns", mas as acusações que enfrenta pintam um quadro diferente. A produção artística serve tanto como manifesto pessoal quanto como desafio às autoridades, destacando as complexidades da vida nas comunidades afetadas pelo crime organizado.

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Este episódio reforça a visibilidade do Comando Vermelho na cultura popular e ilustra como figuras públicas podem usar a mídia para contestar seu status legal. O caso de Oruam continua a evoluir, com implicações tanto para o sistema de justiça quanto para a cena musical brasileira, onde a fronteira entre personagem artístico e realidade criminal muitas vezes se torna tênue e controversa.