O ano de 2026 promete uma revolução no prato dos consumidores, com a indústria de alimentos deixando de lado o foco exclusivo na aparência fotogênica para apostar em uma experiência que envolve todos os sentidos. Esqueça o conceito "aesthetic" que dominou 2025. A nova fronteira são os produtos "multissensoriais", desenvolvidos para surpreender pelo toque, pelo som e por camadas complexas de sabor.
Previsões apontam para alimentos personalizados e sensoriais
De acordo com o relatório "2026 Global Food and Drink Predictions", da empresa de pesquisa de mercado Mintel, as marcas passarão a utilizar elementos sensoriais de forma estratégica. O objetivo é atender às necessidades específicas de diferentes grupos demográficos e até estados emocionais. Isso significa que veremos no mercado produtos pensados para públicos bem definidos.
A indústria deve desenvolver, por exemplo, refeições proteicas com textura macia para idosos e snacks coloridos que correspondam às expectativas de sabor das crianças. A inovação também mira pessoas neurodivergentes e usuários de medicamentos como Ozempic e Wegovy, que podem ter o apetite reduzido ou dificuldade para perceber texturas. Para esse último grupo, a proposta são alimentos indulgentes em pequenas porções, que compensem o menor interesse em comer.
A busca por textura e o "sabor maximalista"
Os dados que embasam essa tendência são claros. A Mintel identificou um aumento consistente nas buscas por termos como "crocante" (crunchy) e "pegajoso" no contexto de alimentos, nas redes sociais, entre julho de 2023 e julho de 2025. O consumidor demonstra um desejo crescente por experiências táteis marcantes durante a alimentação.
Essa demanda por intensidade é confirmada pelo Kerry Group, gigante fornecedor de ingredientes e aromas. Em seu relatório de tendências, a empresa define 2026 como o ano do "sabor maximalista". A descrição fala em formulações multissensoriais e complexas, criadas especificamente para excitar e surpreender o paladar.
"Combinações pouco comuns e sabores intensos devem se tornar a regra dos lançamentos do mercado neste ano", indica o relatório. A tendência está ligada a uma busca do consumidor por criatividade, intensidade e estímulo emocional através da comida, indo muito além da simples nutrição ou de uma bela foto para o Instagram.
Uma nova era para a experiência gastronômica
A mudança de foco da indústria sinaliza uma evolução no relacionamento do consumidor com a comida. Se antes a beleza visual era um driver poderoso de consumo, impulsionado pelas redes sociais, agora a experiência completa ganha protagonismo. A textura que estala, a combinação inesperada de sabores que se revelam em camadas e a sensação na boca se tornam atributos tão importantes quanto o gosto tradicional.
Essa abordagem maximalista e sensorial promete transformar desde snacks do dia a dia até refeições prontas, criando um novo patamar de expectativa e prazer à mesa. A personalização para grupos específicos mostra ainda um amadurecimento do mercado, que busca inclusão e soluções para necessidades alimentares reais e diversificadas da população.