Influenciadores causam críticas por dança na passarela do Rio Fashion Week
A participação de influenciadores no Rio Fashion Week, evento que encerrou no sábado, 18 de abril de 2026, gerou intensa discussão nas redes sociais e na mídia. Como tem ocorrido em diversos setores que convidam personalidades das redes sociais devido ao seu engajamento e fama, dois influenciadores se tornaram alvo de fortes críticas após dançarem na passarela durante um desfile. A atitude de Geovanna Alencar e Arthur Lira, vista por muitos como uma tentativa clara de viralização, dividiu opiniões e levantou questionamentos profundos sobre os limites entre entretenimento e a proposta artística dos eventos de moda de alto nível.
Quebra de rigor ou estratégia planejada?
Antes de mais nada, é crucial frisar que essa quebra de rigor no tradicional "carão" das passarelas já estava prevista pela própria marca BlueMan. Nas redes sociais, a grife mostrou vídeos dos ensaios no backstage, momentos antes dos influenciadores desfilarem, indicando que a ação foi intencional. No entanto, houve quem levantasse questões sobre a desvalorização de modelos profissionais, reacendendo um debate antigo sobre o espaço midiático dos influenciadores – agora também presente em desfiles, o que, segundo críticos, comprometeria a credibilidade das passarelas antes frequentadas por ícones como Gisele Bundchen e Naomi Campbell.
Mas tudo tem seu "porém". Se por um lado esses nomes ampliam significativamente o alcance das marcas e dialogam diretamente com um público altamente engajado nas redes sociais, por outro lado, eles levantam críticas quanto à substituição de modelos profissionais por figuras cuja notoriedade está mais ligada à popularidade do que à técnica ou à experiência no universo fashion. Essa movimentação expõe uma mudança estrutural no setor, em que o capital simbólico das redes sociais passa a competir com a tradição e a formação, gerando questionamentos sobre até que ponto a moda está se democratizando ou apenas se rendendo à lógica do engajamento e da visibilidade imediata.
Há algo errado na presença dos influenciadores?
Não, não há algo intrinsecamente errado na presença deles. Até porque as próprias marcas se utilizam dos influenciadores e sua vasta gama de seguidores nas redes para levar ao consumidor final sua proposta de forma mais acessível. Basta uma rápida pesquisa no feed do Instagram para ver o quanto há de presença de marcas em vídeos dançantes e conteúdos leves de quem está ali justamente para isso: chamar atenção. Levá-los à passarela quebra a "quarta parede" do smartphone, causando estranheza inicial, mas refletindo uma realidade contemporânea.
Mas não há marca hoje que não queira esse tipo de engajamento. Os influenciadores estão em todos os lados – e a moda não escaparia ilesa dessa "contaminação" digital. Mais do que isso, foi a moda o campo que mais rapidamente os absorveu, adaptando-se às novas dinâmicas de comunicação. Não venham, portanto, com gritos de purismo agora. A dancinha feita na passarela não fere os princípios fundamentais do setor da moda; pelo contrário, coloca a grife em contato direto com o tipo de comunicação que originou esses influenciadores, criando uma ponte entre tradição e inovação.
O debate sobre democratização e engajamento
No fim, tudo viraliza, inclusive a reclamação dos radicais e puristas que fingem não ser impactados pelos influenciadores. Melhor aceitá-los como um sintoma dos tempos atuais e percebê-los com um olhar crítico, do que fazer birra e fingir que não dá a eles "like" às escondidas. Este episódio no Rio Fashion Week serve como um espelho das transformações em curso na indústria da moda, onde a busca por relevância nas redes sociais desafia normas estabelecidas, promovendo um diálogo necessário sobre autenticidade, profissionalismo e a evolução das expressões culturais no século XXI.



