Globo de Ouro 2026: McCarthy e Hahn usam humor ácido para criticar desigualdade de gênero
McCarthy e Hahn fazem piada sobre disparidade de gênero no Globo de Ouro

O humor ácido e a crítica social marcaram presença no Globo de Ouro de 2026. As atrizes e comediantes Melissa McCarthy, de 55 anos, e Kathryn Hahn, de 52, transformaram o palco da premiação em um espaço de protesto bem-humorado, mas contundente, contra a desigualdade de gênero na indústria do entretenimento.

O Momento da Crítica Bem-Humorada

Convocadas para anunciar o vencedor da categoria de melhor ator em minissérie, antologia ou filme para TV, as duas artistas não perderam a oportunidade. Com uma solenidade irônica, Kathryn Hahn iniciou o discurso: “Pela primeira vez desde sempre, os homens também vão ganhar um prêmio”. A fala, que provocou risos e aplausos na plateia, foi um comentário direto sobre o histórico desequilíbrio na distribuição de estatuetas entre atores e atrizes.

Melissa McCarthy emendou a piada, ecoando o tom de sua colega: “Finalmente, eles ganham um lugar na mesa”. Ela então listou, de forma sarcástica, os tipos de papéis que os homens seriam “capazes de desempenhar” na visão limitadora que muitas vezes enfrentam as mulheres: “Maridos, ex-maridos, secretários e o favorito de todos, vizinho fofoqueiro”.

Contexto e Reação

O momento, ocorrido no dia 18 de janeiro de 2026, foi um destaque da cerimônia transmitida mundialmente. Após as brincadeiras de duplo sentido, que carregavam uma forte mensagem feminista, as apresentadoras cumpriram seu papel com entusiasmo e anunciaram o vencedor legítimo: o ator Stephen Graham, reconhecido por sua atuação como o pai do garoto-problema na série “Adolescência”.

A intervenção de McCarthy e Hahn segue uma tradição de comediantes e artistas que utilizam a exposição de grandes premiações para levantar questões importantes. A escolha do Globo de Ouro como palco é significativa, dada a visibilidade do evento e os debates recorrentes sobre diversidade e inclusão em Hollywood.

Um Reflexo de Discussões Mais Amplas

Apesar do tom leve, a “língua ferina” das comediantes apontou para uma discussão séria e persistente. A fala sobre homens “também” ganharem prêmios inverte de forma inteligente a narrativa usual, destacando o privilégio histórico. A sátira aos papéis estereotipados reforça a luta por personagens mais complexos e diversos para mulheres no cinema e na televisão.

O episódio, relatado originalmente por Mafê Firpo e Nara Boechat para a revista VEJA (edição nº 2978 de 16 de janeiro de 2026), mostra como o humor pode ser uma ferramenta poderosa para iluminar injustiças sociais, chegando ao público de uma maneira acessível e memorável. A ação de McCarthy e Hahn reforça o papel das artistas feministas em usar sua influência para promover mudanças, mesmo nos cenários mais glamourosos.