Escritor retira vídeo após associar caso Epstein ao lobby judaico
O sociólogo e escritor Jessé Souza gerou polêmica nesta segunda-feira (9) ao publicar e posteriormente apagar um vídeo em que fazia fortes associações entre o caso do financista Jeffrey Epstein e o que chamou de lobby judaico. No conteúdo removido, o autor afirmava que Epstein seria o produto mais perfeito do sionismo judaico, vinculando suas ações a uma suposta rede de influência.
Declarações controversas e retratação parcial
No vídeo original, Jessé Souza desenvolveu uma argumentação onde sustentava que o sionismo seria a força motriz por trás dos crimes atribuídos a Epstein. O escritor chegou a afirmar que uma suposta rede industrial de pedofilia existiria para servir a chantagens de Israel contra políticos e bilionários, especialmente americanos, visando obter apoio para ações no Oriente Médio e na Palestina.
Procurado pela reportagem, Jessé Souza confirmou a retirada do material do ar, explicando que não separou devidamente lobby sionista e judaico. Em suas palavras: Percebi o erro e tirei. Lamento ter cometido o erro já que tenho vários amigos judeus não sionistas e críticos de Israel.
Novo vídeo mantém críticas ao sionismo
Na tarde da mesma segunda-feira, o autor publicou um novo vídeo onde se desculpou pelo que chamou de escorregão, mas manteve a essência de suas críticas. Mantenho todo o resto do vídeo anterior, declarou Jessé, reafirmando que Epstein não seria um caso isolado, mas sim um filho dileto de uma ideologia que classificou como racista e assassina.
Nesta nova gravação, o escritor reiterou sua posição de que o lobby sionista na mídia e na indústria cultural teria, em sua visão, prostituído a memória do holocausto judeu, utilizando-a como justificativa para ações de Israel. Sua retratação focou especificamente na distinção entre sionismo e judaísmo, sem recuar das acusações mais amplas.
Contexto profissional e publicações anteriores
Jessé Souza possui credenciais acadêmicas sólidas, sendo doutor em sociologia pela prestigiada Universidade de Heidelberg, na Alemanha. Sua trajetória inclui a presidência do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) entre 2015 e 2016, além da autoria de obras conhecidas como:
- A Elite do Atraso (2017)
- A Classe Média no Espelho (2018)
- O Pobre de Direita (2024)
Esta não foi a primeira vez que o sociólogo abordou o tema. Em vídeo publicado na quinta-feira (6) em seu perfil no Instagram, ainda disponível, Jessé já havia comparado o caso Epstein ao do Banco Master no Brasil, descrevendo ambos como radiografias de elites que, em sua análise, não possuiriam respeito por leis sociais. Naquela ocasião, também mencionou o lobby judaico e o Mossad como elementos centrais da trama ligada ao financista.
O episódio ilustra a complexidade dos debates sobre influência política e memória histórica, colocando em evidência as fronteiras entre crítica política e discursos potencialmente problemáticos. A rápida retirada do vídeo original e as explicações subsequentes demonstram a sensibilidade do tema nas redes sociais e na opinião pública brasileira.