Leilão de terreno da Feira de São Cristóvão é suspenso após acordo da Prefeitura do Rio
Leilão da Feira de São Cristóvão suspenso após acordo

O prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, anunciou nesta segunda-feira, 26, um acordo crucial que suspendeu o leilão do terreno do Pavilhão de São Cristóvão, sede do Centro Luiz Gonzaga de Tradições Nordestinas, popularmente conhecido como Feira de São Cristóvão. A medida veio após intensa pressão de lojistas e da comunidade, que temiam pela perda deste ícone cultural da cidade.

Acordo evita leilão marcado para 2026

O leilão estava programado para o dia 25 de fevereiro de 2026, com um lance mínimo de pouco menos de R$ 25 milhões, devido a um processo de execução fiscal movido pela União contra a Riotur, empresa responsável pela gestão do espaço. A dívida, que inclui questões fiscais e trabalhistas, remonta a 2012, quando a Riotur deixou de conceder o período mínimo de 11 horas consecutivas para descanso entre jornadas de trabalho.

Em suas redes sociais, Paes comemorou: "Leilão suspenso e continua com o incrível Centro Luiz Gonzaga de Tradições Nordestinos". No entanto, o edital do leilão, sugerido pela própria Riotur, não especificava a permanência ou retirada do centro cultural do local, deixando os comerciantes em estado de apreensão.

Incerteza e apelos dos lojistas

Magno Pereira, diretor do Centro de Tradições Nordestinas, expressou o desespero vivido pelos trabalhadores: "Levamos um susto. Desde então, não temos dormido. A gente tem pensado no que vai fazer. Espero que a prefeitura tome uma posição, resolva essa situação por lá para não tirar a nossa casa". Ele enfatizou a importância da localização: "A gente não tem para onde ir. Onde seria a feira de São Cristóvão? Se não for em São Cristóvão, perde o brilho, perde a essência".

A comissão administrativa do espaço entrou com um embargo na Justiça para tentar impedir o leilão, enquanto a Prefeitura do Rio afirmou, em nota oficial, que está trabalhando ativamente para evitar a venda e que não medirá esforços para manter o pavilhão como um imóvel público.

História e importância cultural do pavilhão

O pavilhão onde a feira funciona possui uma rica trajetória histórica e arquitetônica. Construído em 1959 para a Exposição Internacional da Indústria e do Comércio, com projeto do renomado arquiteto Sérgio Bernardes, o edifício era considerado ousado para a época, apresentando uma das maiores áreas cobertas do mundo sem vigas.

Com o passar dos anos, a falta de conservação adequada levou o espaço a ser utilizado como barracão de escolas de samba e, após um vendaval na década de 1980, transformou-se em depósito da Riotur. Somente em 2003 o local passou a abrigar o Centro Luiz Gonzaga de Tradições Nordestinas, revitalizando sua função cultural.

Reconhecimento como patrimônio

Em 2021, a Câmara de Vereadores do Rio tombou o pavilhão, e uma lei federal o reconheceu como Patrimônio Cultural Imaterial do Brasil. Este status reforça a importância da feira não apenas como ponto comercial, mas como símbolo da identidade nordestina na capital fluminense e referência nacional.

Apesar do alívio com a suspensão do leilão, a situação financeira da Riotur e as dívidas pendentes mantêm o futuro do espaço em uma zona de incerteza. A comunidade aguarda medidas concretas da prefeitura para garantir a preservação deste patrimônio, que atrai milhares de visitantes e sustenta centenas de famílias.