Marquinhos, pioneiro esquecido do basquete brasileiro, morre um dia antes de completar 74 anos
O basquete brasileiro perdeu nesta semana uma de suas figuras mais emblemáticas e, paradoxalmente, uma das mais esquecidas. Antônio Abdalla Leite, conhecido como Marquinhos, faleceu no dia 22 de março de 2026, apenas um dia antes de completar 74 anos. O pivô de 2,04 metros estava internado desde a última quinta-feira, e a causa da morte não foi divulgada pela família.
Um desbravador nos Estados Unidos e uma escolha histórica
Revelado pelo Fluminense, onde atuou dos 15 aos 22 anos entre 1967 e 1974, Marquinhos seguiu para os Estados Unidos para estudar e jogar na Universidade de Pepperdine. Na Divisão 1 da NCAA, entre 1974 e 1976, ele brilhou com uma média impressionante de 18 pontos por jogo e foi um dos principais responsáveis pelo título da conferência oeste da universidade. Seus feitos foram tão marcantes que, em 2013, ele foi instalado no Hall da Fama da Pepperdine.
Em 1976, Marquinhos entrou para a história do esporte brasileiro ao se tornar o primeiro atleta do país a ser selecionado no Draft da NBA. Ele foi escolhido pelo Portland Trail Blazers, uma oportunidade que representava o ápice para qualquer jogador de basquete na época.
A recusa pela Seleção Brasileira e o legado nos clubes
Contudo, em uma decisão que define seu caráter e patriotismo, Marquinhos recusou a chance de atuar na maior liga de basquete do mundo. O motivo? Naquela época, os jogadores da NBA não podiam disputar competições internacionais por seus países, e ele não queria abrir mão de defender a Seleção Brasileira.
De volta ao Brasil, sua transferência para o Sírio marcou o auge de sua carreira nos clubes. Ele integrou um elenco histórico que acumulou conquistas impressionantes: títulos paulistas, campeonatos brasileiros, taças sul-americanas e, principalmente, o título mundial interclubes de 1979. Marquinhos também teve passagens relevantes por Flamengo, Fluminense e Bradesco, além de uma experiência na Itália, onde atuou pelo Virtus Bologna e Genova.
Um gigante pela Seleção Brasileira e o esquecimento nacional
Com apenas 18 anos, Marquinhos já integrava o elenco vice-campeão mundial da Seleção Brasileira em 1970. Oito anos depois, ele foi um dos principais nomes do país na conquista do bronze na Copa do Mundo de 1978 – que permanece até hoje como o último pódio do Brasil em um mundial masculino de basquete.
Sua trajetória pela seleção incluiu participações em três edições dos Jogos Olímpicos (1972, 1980 e 1984), a medalha de ouro nos Jogos Pan-Americanos de 1971 e três títulos sul-americanos. Apesar de todas essas conquistas, sua história caiu no esquecimento, exemplificando a máxima do escritor e jornalista Ivan Lessa: "De quinze em quinze anos o Brasil esquece o que aconteceu nos últimos quinze anos."
A morte de Marquinhos deixa um vazio no basquete nacional e serve como um lembrete da importância de celebrar e preservar a memória dos grandes esportistas que moldaram a história do país.



