Roberta Campos mergulha em fase íntima com primeiro disco independente
A cantora Roberta Campos, consagrada por sucessos como De Janeiro a Janeiro e Casinha Branca, está embarcando em uma nova e profunda fase de sua carreira. Com o lançamento do álbum Coisas de Viver a Dois, uma releitura de seu último trabalho de fevereiro de 2025, a artista promete uma produção mais sensível e intimista, reunindo nomes emblemáticos da música nacional.
Processo colaborativo e curadoria cuidadosa
Em entrevista exclusiva, Roberta Campos detalhou o processo de construção do disco, que considera seu mais íntimo até agora. "Esse é um disco bastante íntimo. Eu falo de coisas muito delicadas, mas de uma forma leve. Vem de um lugar pelo qual eu não tinha passado antes", revelou a cantora. Ela destacou que as canções nasceram de um momento introspectivo e doloroso, com uma sonoridade que reflete a pré-produção feita em sua própria casa.
A curadoria das parcerias foi um processo fluido e significativo. "Assim que eu comecei a ter a ideia do Coisas de Viver a Dois, já passei a imaginar as pessoas que poderiam cantar junto", explicou Roberta. A primeira colaboração foi com Jota.Pê, seguida por artistas como Zélia Duncan, que canta na faixa de abertura Peito Aberto, e Jorge Vercillo, além do grupo Tuyo. A cantora enfatizou a importância de ter uma relação próxima com esses parceiros para interpretar músicas tão pessoais.
Autonomia e desafios da independência
Produzir um disco independente representou um marco na carreira de Roberta Campos, após 11 anos vinculada a uma grande gravadora. "Esse lance de ser independente vem com uma autonomia muito importante. Eu sempre brigo pela minha música e escolho as coisas do jeito que eu quero", afirmou. Ela admitiu que a transição trouxe dificuldades, mas também a fez perceber a necessidade de tomar as rédeas da própria vida, refletindo diretamente em seu trabalho artístico.
A relação com os fãs também evoluiu nesse novo contexto. Roberta expressou seu desejo de estar mais próxima das pessoas e entender melhor o impacto de sua música. "Gosto de ouvir meus fãs e vejo a música realmente como uma troca, onde eu recebo de volta todo esse combustível de saber o quanto a minha música significa para cada um", compartilhou.
Mudanças artísticas e crescimento pessoal
Entre o projeto anterior e este, Roberta Campos observou mudanças significativas em sua abordagem artística. Ela atribuiu parte dessa evolução ao amadurecimento pessoal e a novas estratégias para lidar com o Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH). "Com o tempo, consegui fazer coisas que passaram a me ajudar com isso, como a música. Percebi que consigo me concentrar quando coloco algo como instrumentais de violão", detalhou.
Essa expansão de consciência, aliada a um repertório mais lapidado, trouxe uma profundidade renovada às suas composições. O álbum Coisas de Viver a Dois não apenas reinterpreta faixas conhecidas, mas as apresenta sob uma nova luz, marcando um capítulo de autonomia e introspecção na trajetória da artista.
