Álbum solo de Gracinha Leporace, gravado em 1968, é reeditado no Brasil em vinil após décadas
Em 1968, um ano marcante para a música brasileira com a efervescência da Tropicália, a cantora carioca Maria da Graça Leporace, conhecida artisticamente como Gracinha Leporace, entrou em estúdio para gravar seu único álbum solo. Com arranjos do renomado violonista Oscar Castro Neves, o trabalho ecoava a estética da bossa nova, um estilo que, na época, já começava a ser visto por alguns como pertencente ao passado.
Lançado pela gravadora Philips, o disco não alcançou grande repercussão comercial naquele momento. Isso se deveu, em parte, ao fato de que, a partir de 1969, Gracinha Leporace passou a integrar os conjuntos do pianista Sergio Mendes, com quem se casou e partiu para os Estados Unidos em 1970, construindo uma carreira de sucesso no exterior.
Uma obra rara e pouco conhecida no cenário nacional
Embora tenha sido reeditado em LP e CD no exterior, especialmente no Japão, o álbum solo de Gracinha Leporace permaneceu no Brasil como um título obscuro e pouco ouvido da discografia nacional. Com o passar dos anos, tornou-se uma peça rara, dificilmente encontrada por colecionadores e entusiastas da música brasileira.
Por isso, a primeira reedição brasileira do álbum "Gracinha Leporace", realizada pela Universal Music, é um evento digno de nota. A edição física chega no formato de LP, fabricado em vinil azul claro translúcido, resgatando uma obra que há muito estava fora de circulação no país.
Repertório com músicas inéditas e regravações
O álbum, que segue o padrão fonográfico da época com 12 faixas, apresenta um repertório rico e diversificado. Sete músicas eram então inéditas, incluindo composições de nomes como Edu Lobo, José Carlos Capinan, Sidney Miller e Guarabyra, além de peças de familiares de Gracinha, como seu pai Sebastião Leporace e seu irmão Fernando Leporace.
Entre as cinco regravações, destacam-se clássicos como "Chega de saudade", de Antonio Carlos Jobim e Vinicius de Moraes, e "Saudade fez um samba", de Carlos Lyra e Ronaldo Bôscoli. O álbum também inclui "Cantiga", de Dori Caymmi e Nelson Motta, uma canção recente na época, apresentada em 1967 pelo grupo MPB4.
Além da edição em LP, o álbum "Gracinha Leporace" está disponível em formato digital nas principais plataformas de streaming, permitindo que novas gerações descubram este trabalho histórico. Esta reedição não apenas celebra a trajetória de uma artista fundamental, mas também preserva um capítulo importante da música popular brasileira, oferecendo uma oportunidade única para revisitar um som que resiste ao tempo.



