Escola de samba faz ajuste de última hora em enredo político para o Carnaval
A Acadêmicos de Niterói, escola estreante no Grupo Especial do Rio de Janeiro, realizou uma mudança significativa em seu desfile carnavalesco deste domingo, 15 de fevereiro de 2026. Originalmente, o enredo intitulado "Do alto do mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil" incluía referências a outros governos, mas a agremiação optou por retirar todas as menções a Jair Bolsonaro e a sua administração.
Decisão estratégica para evitar problemas legais
A alteração foi tomada antes da confecção final do livro Abre-Alas, documento entregue aos jurados do desfile. Segundo informações exclusivas obtidas pela coluna GENTE, a medida visa evitar a configuração de crime eleitoral, uma preocupação que surgiu após discussões internas na escola. A decisão reflete um cuidado extra da agremiação em não misturar celebração carnavalesca com propaganda política explícita, especialmente em um contexto eleitoral sensível.
No entanto, uma exceção curiosa permanece no enredo. A ala 23 da escola ainda faz uma menção a Eduardo Bolsonaro, deputado federal e filho do ex-presidente. A explicação fornecida no livro Abre-Alas descreve que, durante o terceiro mandato presidencial de Lula, a soberania nacional tornou-se centro de debate político devido à atuação de um ex-deputado junto ao governo americano de Donald Trump.
Referência a Trump mantida no desfile
O texto detalha que houve pedidos de sanções econômicas e políticas contra o Brasil, o que gerou uma exaltação aos valores democráticos nacionais. Essa atitude intervencionista, segundo a escola, elevou a posição de Lula como defensor dos interesses do país. De forma irônica, os componentes da ala 23 usam fantasias inspiradas em uma charge do ilustrador Nando Motta, originalmente publicada no site Brasil 247.
O desfile da Acadêmicos de Niterói está programado para começar às 22h deste domingo, abrindo oficialmente as apresentações do Grupo Especial. A escola, que estreia na elite das agremiações, promete um espetáculo visualmente impactante, mesmo com os ajustes de conteúdo realizados em cima da hora. A presença de referências a figuras internacionais como Trump, enquanto personagens nacionais são suprimidos, gera um contraste interessante no enredo político da agremiação.
Essa não é a primeira vez que o Carnaval do Rio de Janeiro se envolve em polêmicas relacionadas a conteúdo político. Em anos anteriores, várias escolas já enfrentaram críticas e até processos por suposta propaganda eleitoral em seus desfiles. A Acadêmicos de Niterói parece ter aprendido com esses precedentes, optando por uma abordagem mais cautelosa para sua estreia no grupo principal.
O livro Abre-Alas, que contém todas as informações detalhadas para os julgadores, já foi distribuído com as alterações finais. A expectativa agora é pela reação do público e dos jurados ao enredo revisado, que mantém seu foco principal na trajetória de Lula, mas com nuances que refletem as complexidades da política brasileira contemporânea.



