Livro sobre enredos do Carnaval é relançado após 10 anos com atualizações
Livro sobre enredos do Carnaval é relançado após 10 anos

Obra sobre enredos do Carnaval ganha nova edição após uma década

Fábio Fabato, em parceria com o renomado historiador Luiz Antônio Simas, decidiu relançar o livro Pra tudo começar na quinta-feira: o enredo dos enredos, publicado pela Ed. Mórula. Esta nova versão chega exatos dez anos após a primeira edição, trazendo consigo uma série de atualizações significativas que refletem as transformações vividas pelo Carnaval na última década.

Atualizações que capturam a evolução da festa

A decisão de revisitar a obra surgiu diante das constantes e profundas mudanças observadas tanto dentro quanto fora da Sapucaí. Fabato destaca que o Carnaval passou por diversas modificações estruturais e culturais nos últimos anos, incluindo a expansão para três dias de desfiles, a introdução de novas tecnologias de iluminação no sambódromo, ajustes nas regras de avaliação das notas e um aumento expressivo no uso de inovações tecnológicas nos carros alegóricos.

"Merece ser atualizado porque é muito maneiro e muito importante", afirma Fabato. Ele ressalta que a obra já era uma referência no tema ao mapear o Carnaval de 1932 até 2015, e agora estende essa análise para o período de 2016 a 2025. "E ele é uma das poucas obras sobre esse tema, então precisa ser revisitado", complementa, enfatizando a relevância contínua do livro no cenário cultural.

Novos rostos e perspectivas no Carnaval

Além de incorporar os principais acontecimentos da última década, a nova edição também destaca o surgimento de novos carnavalescos que têm redefinido a visão sobre os enredos para as agremiações. Fabato menciona quatro nomes que considera "os caras do momento":

  • Leandro Vieira, conhecido por seus trabalhos esplêndidos na Mangueira em 2016 e 2019.
  • Gabriel Haddad e Leonardo Bora, uma dupla que iniciou sua trajetória na Grande Rio, criou o enredo Exú e atualmente atua na Vila Isabel.
  • Tarcísio Zanon, que já conquistou dois títulos no Carnaval e conseguiu desenvolver uma linguagem distintiva para a Viradouro.

Fabato revela que, quando publicaram o livro pela primeira vez, ele temia que os enredos estivessem perdendo força devido à crescente influência de patrocínios de marcas ou governos. No entanto, felizmente, percebeu que estava enganado, pois no ano seguinte ao lançamento ocorreu uma mudança significativa na história da festa, reafirmando a vitalidade das narrativas carnavalescas.

Revisão crítica e evolução linguística

Revisitar um livro após anos, com um olhar crítico, não é uma tarefa simples. Fabato explica que essa prática envolve ajustar percepções e detalhes para se adequar à evolução linguística e social. "É um exercício muito interessante, porque o letramento sobre o que está acontecendo por aí, é algo que a gente tem que ter na nossa cabeça constantemente", reflete.

Ele dá um exemplo concreto dessa evolução: "O que há 10 anos podia, hoje não pode. Índios e escravos apareciam demais em enredos, mas é necessário mudar, pois agora se fala indígenas e ex-escravizados". Essa atualização não apenas reflete mudanças na terminologia, mas também um maior conscientização sobre representação e respeito na cultura carnavalesca.

Além desta obra focada nos enredos, Fabato e Simas têm outros projetos em conjunto, mas a experiência de relançar um livro após uma década se mostra como um processo enriquecedor que captura a dinâmica e a riqueza do Carnaval brasileiro.