Herança familiar leva jovem a se tornar mestre-sala em escolas de samba de São Paulo
Herança familiar leva jovem a ser mestre-sala em escolas de samba

Herança familiar leva jovem a se tornar mestre-sala em escolas de samba de São Paulo

Para o morador de São Paulo Igor Henrique Vaz Bueno Lucas, de 29 anos, seria praticamente impossível não se envolver com o carnaval. A paixão pelas escolas de samba corre no sangue da família: avô mestre de bateria, avós porta-bandeira e chefe de ala, e pai motorista de carros alegóricos. Desde a infância, ele acompanhava os familiares nos barracões das agremiações da capital paulista, vivência que despertou seu fascínio pelo universo do samba.

Raízes profundas no carnaval paulistano

Atualmente, Igor exerce a função de 1º mestre-sala da escola de samba Imperatriz do Morro, em Taubaté, no interior paulista, onde defende o pavilhão principal da agremiação. Paralelamente, também atua como 1º mestre-sala da escola de samba Isso Memo, do Grupo de Acesso de Bairros da capital paulista. Em entrevista, o jovem revelou como a herança familiar o conduziu ao mundo do carnaval e o encantou com todo o processo criativo.

"Ambos os lados da minha família, tanto do meu pai quanto da minha mãe, são conectados ao carnaval de alguma forma", contou Igor. "Meu avô, Laudelino Francisco de Oliveira Filho, foi um mestre de bateria bem conhecido e permaneceu nessa função até falecer, em 2009. Minha avó materna era chefe de ala na Unidos do Peruche. Então, naturalmente, todos os familiares foram transmitindo um pouco do carnaval para mim".

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Da ala mirim ao posto de mestre-sala

Segundo Igor, ele costumava acompanhar a avó na produção das fantasias, ambiente onde começou a desfilar ainda criança, integrando inicialmente a ala mirim e posteriormente se tornando passista. "Minha avó era costureira na Unidos do Peruche e trabalhava na confecção das fantasias. Eu ficava ali na escola e acabava desfilando. Foi realmente uma herança deles, uma paixão que sempre esteve presente", afirmou.

O primeiro desfile oficial de Igor ocorreu pela Unidos do Peruche em 2006. Após uma pausa de três anos, ele retornou em 2009 para a mesma escola. "Houve outra interrupção por conta dos estudos e de compromissos religiosos. Em 2015, voltei de forma mais ativa como passista no Vai-Vai, onde meu pai era motorista", explicou. Já em 2016, iniciou sua trajetória como mestre-sala no Vai-Vai.

Orgulho familiar e evolução na carreira

O pai, Anderson Lucas, que desfilou pela escola de samba de 1992 a 2015, relembra com orgulho a relação da família com o carnaval. "Como meu pai era mestre de bateria e minha mãe, porta-bandeira, eu cresci nesse ambiente e ficava fascinado pelos carros alegóricos e pela bateria", afirmou. "Comecei como motorista dos carros no Vai-Vai, e o Igor cresceu nesse meio e pegou gosto também. Quem gosta sabe: o coração vai a mil. É muito bonito ver o trabalho no barracão e sentir a adrenalina da avenida. Foi uma herança essa paixão".

Entre 2016 e 2020, Igor ocupou o cargo de 3º mestre-sala. Em 2020, foi promovido a 2º mestre-sala, função que exerceu até 2023. Em 2022, passou a integrar a escola de samba Isso Memo como 1º mestre-sala, permanecendo até 2024 com retorno previsto para o carnaval de 2026. Durante esse período, obteve nota máxima em todos os desfiles anuais da agremiação.

Compromisso com a formação de novas gerações

"Desde 2020, sou 1º mestre-sala da Imperatriz do Morro, em Taubaté. Também atuei como 1º mestre-sala na escola de samba Dragões do Castelo, em Santos, entre 2020 e 2022", contou Igor. Além dos desfiles, ele decidiu investir na formação de novas gerações do samba. Desde 2025, é instrutor da Sala Kids na Associação Cisne do Amanhã, onde ministra aulas e técnicas voltadas à formação de mestre-sala e porta-bandeira mirins.

"O que mais emociona é que o carnaval é um ambiente de liberdade", destacou Igor. "Você faz parte de um espetáculo que leva tanto tempo para ser preparado e dura tão pouco, com uma única apresentação. É o maior espetáculo da Terra. Participar disso e ver a magia do carnaval é o que encanta".

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Carnaval como conexão cultural

Formado em turismo, Igor afirma que, por conta do trabalho, não consegue se dedicar ao carnaval durante todo o ano, mas garante que sempre reserva esse período para a paixão herdada da família. "O carnaval sempre esteve presente. Hoje a rotina é mais acelerada, porque trabalho no interior, mas por muitos anos minha vida foi totalmente ligada ao carnaval, de janeiro a janeiro", enfatizou.

"O carnaval conecta pessoas de todos os lugares", concluiu. "Às vezes, um carro alegórico de São Paulo ou do Rio tem gente do Amazonas trabalhando nele. Pessoas ligadas a tribos indígenas produzem coisas tão grandiosas que até engenheiros se perguntam como aquilo é possível. Essa grandiosidade do carnaval é o que mais encanta".