Brasileira recria boneco gigante de Olinda para carnaval na Alemanha
Uma tradição típica do carnaval pernambucano cruzou o oceano Atlântico e desfilou pelas ruas de Munique, na Alemanha, graças à criatividade de uma brasileira residente no país europeu. Rosa Filipovic, educadora e influenciadora natural do Recife, confeccionou um boneco gigante inspirado nas alegorias de Olinda para que sua filha Sophia participasse das festividades carnavalescas alemãs.
Inspiração nordestina em terras germânicas
A ideia surgiu durante uma visita familiar ao Nordeste brasileiro em agosto de 2024, quando Rosa e seus parentes conheceram o museu dos bonecos gigantes de Olinda. "Foi uma experiência incrível porque uma das pessoas que trabalha lá vestiu um boneco e demonstrou como funcionava. Ele dançou e ensinou a gente até a dançar frevo. Minha família ficou maravilhada com tudo", relatou a brasileira em entrevista.
De volta à Alemanha, onde mora há 15 anos, Rosa decidiu materializar essa inspiração. Com ajuda do marido alemão Fabian Filipovic e outros familiares, ela dedicou três dias à construção da alegoria utilizando materiais improvisados:
- Estrutura de canos de plástico
- Espuma para a base
- Gesso para o rosto
- Tecidos, lã e tintas disponíveis em casa
"Infelizmente, na internet não tem vídeo ou matéria ensinando um passo a passo para construir um boneco gigante. Então resolvemos fazer levando em consideração os detalhes que o boneco deve ter", explicou a artesã.
Sucesso absoluto no desfile alemão
No domingo, 8 de fevereiro, Sophia Filipovic desfilou com a fantasia pelo carnaval de Munique, causando frisson entre os espectadores europeus. A boneca carregava uma bandeira de Pernambuco improvisada em uma canga e uma plaquinha com os dizeres "boneco de Olinda" em português.
"Foi um sucesso mais do que surreal. Todo mundo observava, ela foi parada o tempo inteiro para fotografar. Mesmo com os ombros cansados, não queria tirar a fantasia de jeito nenhum porque estava adorando toda a atenção", contou Rosa sobre a experiência da filha.
A identificação em português despertou curiosidade entre os alemães, que perguntavam constantemente: "O que é isso?", "O que isso representa?", "Você se chama Olinda?". Sophia explicava pacientemente que se tratava de uma tradição da terra natal de sua mãe.
Carnaval alemão com sabor brasileiro
Rosa descreveu as diferenças entre as celebrações carnavalescas nos dois países: "Existe um desfile de carnaval por cidade. As pessoas ficam nos dois lados da calçada, e na pista passam pequenos carros alegóricos, que são literalmente carros populares, tratores ou trios bem pequenos. Neles, pessoas fantasiadas jogam doces para o público".
Diferentemente das homenagens a personalidades típicas dos bonecos pernambucanos, a criação da família Filipovic tinha objetivo mais amplo: representar a cultura nordestina e proporcionar uma fantasia especial para Sophia. "Na hora de escolher uma fantasia para minha filha mais velha, já que nenhuma mais cabia, pensamos: 'vamos fazer uma coisa brasileira?'. E claro, na minha cabeça, a primeira coisa que vem é: 'mais do que brasileira, eu quero fazer uma coisa nordestina'", afirmou Rosa.
Planos para expandir a cultura nordestina na Europa
Empolgada com a repercussão positiva - incluindo a viralização das imagens na internet - a família já planeja futuras participações nos carnavais europeus. "A gente ficou tão empolgado que, no ano que vem, estamos pensando se faz outras fantasias de outras figuras que representam o carnaval brasileiro, como a La Ursa, o bumba-meu-boi, o papangu...", revelou Rosa.
A ambição vai além: "A gente está pensando em fazer o caboclo-de-lança ou uma família completa de bonecos gigantes e se reunir com outros brasileiros e levar os bonecos reais". A iniciativa demonstra como a diáspora brasileira pode servir como ponte cultural, levando tradições regionais para novos públicos internacionais.
O feito da família Filipovic ilustra de maneira concreta como elementos culturais específicos podem transcender fronteiras geográficas, adaptando-se a novos contextos enquanto mantêm sua essência identitária. A boneca gigante de Olinda que desfilou na Alemanha representa mais que uma simples fantasia: é símbolo da resistência cultural e da capacidade de compartilhar heranças tradicionais em ambientes multiculturalistas.