O carnaval de rua do Rio de Janeiro mais uma vez se consolida como um palco vibrante onde a irreverência se encontra com a crítica social de forma criativa. Nesta sexta-feira, 06 de fevereiro de 2026, a capital fluminense foi agitada pelo desfile do Bloco Corta-Penduricalho, uma iniciativa que transforma a folia em um ato de celebração e protesto. O evento foi inspirado na recente decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Flávio Dino, que determinou a abolição dos benefícios extras pagos no funcionalismo público brasileiro.
Decisão do STF motiva manifestação festiva
A decisão do magistrado estabelece que os Três Poderes – Executivo, Legislativo e Judiciário – devem revisar e suspender os auxílios que faziam os salários da administração pública ultrapassarem o teto salarial, fixado em R$ 46,3 mil. O prazo para o corte desses chamados penduricalhos é de 60 dias, exigindo que os órgãos públicos eliminem verbas indenizatórias sem amparo legal. Esse cenário gerou uma mobilização significativa entre servidores e a sociedade civil, que enxergaram no bloco uma oportunidade única para comemorar a resolução de forma lúdica e engajada.
Concentração e percurso do cortejo
Os foliões tiveram encontro marcado a partir das 16h, em frente ao Tribunal de Justiça do Rio (TJRJ), localizado no Centro da cidade. No local, foi realizada uma manifestação festiva que antecedeu o cortejo, que seguiu em direção à Zona Sul. Por volta das 17h30, o grupo percorreu a orla do Aterro do Flamengo, levando sua mensagem para um público diversificado e aproveitando a visibilidade do carnaval.
Organização e mensagens do bloco
Organizado pelo coletivo Respeita Minha História, composto por cerca de dez pessoas – incluindo servidores públicos, jornalistas e pesquisadores –, o bloco possui um forte caráter político e cívico. Utilizando estandartes com frases impactantes como Sai de mim, Supersalário!, Não pega no meu penduricalho e Sem-vergonha compensatória, além de fantasias criativas, o grupo busca ampliar o debate sobre a necessidade de um novo código de conduta para magistrados e maior transparência nas instituições de Justiça.
Carnaval como espaço de crítica social
O carnaval é historicamente conhecido por suas manifestações políticas em meio à folia, mas nem sempre as críticas se direcionam à classe dirigente. Nesse contexto, o Bloco Corta-Penduricalho se destaca por usar o humor e a alegria para questionar práticas consideradas abusivas no funcionalismo público. Essa abordagem contrasta com outros eventos carnavalescos, como o enredo da Acadêmicos de Niterói, que homenageia o presidente Lula na Sapucaí e tem sido alvo de acusações de propaganda eleitoral antecipada.
A iniciativa reforça o papel do carnaval como um momento de expressão coletiva, onde a população pode se reunir para celebrar conquistas sociais e demandar mudanças, tudo isso embalado pelo ritmo e pela diversão típicos da festa mais popular do Brasil.