Vitória sobre Croácia não disfarça fragilidades da seleção brasileira rumo à Copa
Vitória sobre Croácia não disfarça fragilidades da seleção

Vitória sobre Croácia não disfarça fragilidades da seleção brasileira rumo à Copa

A vitória por 3 a 1 contra a Croácia, em amistoso realizado na noite de terça-feira em Orlando, não conseguiu esconder as evidentes fragilidades da seleção brasileira de futebol. Embora tenha havido uma melhora significativa em relação à derrota por 2 a 1 para a França, o desempenho ainda está muito aquém do necessário para alimentar sonhos de conquistar o hexacampeonato mundial.

Melhora ofensiva insuficiente

No ataque, a equipe canarinho demonstrou maior entrosamento e movimentação, com destaque para Vinicius Jr., que finalmente reproduziu em campo a qualidade exibida no Real Madrid, participando diretamente da jogada do primeiro gol. Danilo Santos marcou um golaço, enquanto Endrick teve boa atuação ao entrar em campo. Luis Henrique, mesmo com atuação modesta, parece ter conquistado espaço na mente do técnico Carlos Ancelotti.

Contudo, o produto final desta Data Fifa foi decepcionante, especialmente quando comparado ao jogo contra a França, onde o time brasileiro sofreu com o toque de bola envolvente dos europeus, que lembrava o futebol praticado pelo Brasil em épocas passadas.

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Ancelotti reconhece necessidade de mudança

O técnico italiano, conhecido por manter os pés no chão, parece ter caído na realidade após os amistosos. Na véspera do duelo contra a Croácia, Ancelotti fez uma revelação significativa: "Os últimos dois Mundiais que o Brasil ganhou foram por uma fantástica conexão entre talento e defesa". Ele citou exemplos históricos, como a estratégia de Felipão com três zagueiros em 2002 e o time forte montado por Parreira em 1994 para aproveitar Romário e Bebeto.

Ancelotti foi ainda mais direto: "A história fala muito claro: ganha quem sofrer menos gols e não quem faz mais". Esta declaração representa um recuo tático significativo para quem antes ensaiava colocar o time sempre para frente, indicando que o Brasil seguirá para a Copa do Mundo com uma postura mais defensiva e cautelosa.

Lições preocupantes dos amistosos

As partidas contra França e Croácia deixaram lições alarmantes. A ausência de um armador com a elegância e inteligência de Luka Modric, mesmo com o veterano croata de 40 anos apresentando desempenho abaixo do esperado, evidencia uma carência técnica no meio-campo brasileiro. A narração ufanista de Luís Roberto na Globo, que tratou o amistoso como se fosse uma final de Copa do Mundo, não corresponde à realidade do desempenho apresentado.

Embora tenha sido um bom jogo individualmente, com Vinicius Jr. aparecendo e Endrick demonstrando potencial, o resultado ainda é tímido para as ambições do hexa. A apenas dois meses da estreia contra o Marrocos, as fragilidades defensivas e a falta de consistência no jogo coletivo permanecem como pontos de preocupação.

Histórico oferece esperança cautelosa

É importante lembrar que em conquistas mundiais anteriores, a seleção brasileira embarcou para os torneios sem grande credibilidade. Em 1970, Zagallo parecia desmontar as "Feras" de João Saldanha ao colocar em campo quatro "camisas 10" - Pelé, Gerson, Rivellino e Tostão. Em 1994, Romário salvou a classificação nas eliminatórias na última partida contra o Uruguai, e Parreira logo tirou Raí do time titular durante a Copa. Em 2002, houve até uma derrota para Honduras na Copa América de 2001.

As seleções campeãs frequentemente só encontraram seu melhor futebol durante os próprios torneios mundiais, sendo inconsistentes antes e depois das competições. Este histórico oferece um fio de esperança, sugerindo que os escolhidos por Ancelotti podem vir a funcionar quando a Copa começar, mesmo que atualmente exista pouca luz no fim do túnel.

Caminho até a Copa

A seleção brasileira será montada definitivamente em 18 de maio, com a lista final de convocados, e terá um último amistoso contra o Panamá em 31 de maio, no Maracanã. Este jogo não deve autorizar sonhos exagerados, mas também não representa um pesadelo completo, apesar das fragilidades evidentes.

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Resumindo a situação: o Brasil demonstrou melhoras contra a Croácia, especialmente no ataque, mas as lições dos amistosos contra França e Croácia continuam preocupantes. A equipe segue com deficiências que precisam ser corrigidas urgentemente se quiser disputar o título mundial com seriedade. A esperança permanece, mas deve ser mantida com cautela realista diante dos desafios que se aproximam.