Treinador de San Marino, última no ranking da Fifa, revela projeto que quebra jejum de vitórias
Treinador de San Marino, última na Fifa, conta segredo de evolução

Treinador de San Marino, última no ranking da Fifa, revela projeto que quebra jejum de vitórias

Comandar a seleção que ocupa a posição de número 210 no ranking da Fifa, a última colocação, pode parecer uma tarefa impossível. No entanto, o técnico italiano Roberto Cevoli, à frente da equipe da República de San Marino, compartilha os desafios e os sucessos de um projeto inovador que está transformando a mentalidade do time.

Em entrevista exclusiva, Cevoli detalha como, após dois anos de trabalho, conseguiu resgatar o orgulho dos jogadores e alcançar uma vitória histórica que quebrou um jejum de dez anos sem triunfos oficiais.

Projeto inovador e parceria estratégica

O treinador explica que as limitações são evidentes: San Marino tem apenas 30 mil habitantes, o que dificulta encontrar jogadores de alta qualidade. Para superar isso, ele investiu na base e criou uma parceria única com o Pietracuta, um time amador da Itália vizinho a San Marino.

"Conseguimos colocar treze ou catorze atletas da seleção nessa equipe, que é comandada por mim e minha comissão técnica", afirma Cevoli. "Isso permite que eu treine os jogadores diariamente, algo impossível no calendário normal de seleções."

O objetivo é aumentar o tempo de jogo e a maturidade dos atletas, e os resultados já aparecem. Em 2024, San Marino alcançou o feito histórico de vencer seu grupo na Liga das Nações da Uefa, ao derrotar o Liechtenstein por 3 a 1.

Resgate do orgulho e mudança de mentalidade

Trabalhar o psicológico de atletas que convivem com o estigma de serem "os últimos da fila" foi uma prioridade para Cevoli. Ele enfatizou a importância de resgatar o orgulho de representar o país, mesmo sendo um Estado pequeno.

"Eu disse a eles que devem respeitar a camisa e ter coragem", revela o técnico. "Antes, eles pareciam habituados a perder. Hoje, entenderam que podem competir contra qualquer um."

Essa mudança de mentalidade permitiu que a equipe tentasse propor seu jogo mesmo contra seleções potentes, mostrando uma evolução significativa no desempenho e na confiança dos jogadores.

Visão sobre o futebol global e elogios a Ancelotti

Cevoli também compartilha sua perspectiva sobre o novo formato do Mundial com 48 seleções, que ele considera justo por garantir a presença das melhores equipes. Sobre a Itália, ele expressa esperança de que passe na repescagem de março, sob o comando de Gattuso.

Além disso, o treinador, que foi jogador de Carlo Ancelotti no Reggiana, elogia a presença do técnico italiano na Seleção Brasileira. "O Brasil não poderia estar em melhores mãos", afirma Cevoli. "Carlo era ‘um de nós’, uma pessoa honesta que sabia ouvir a todos. Ele será o diferencial para o Brasil."

Ele destaca que a gestão de recursos humanos é a maior virtude de Ancelotti, especialmente em uma seleção onde há pouco tempo para treinamento tático, e tenta imitar essa abordagem em seu próprio trabalho.

Adaptação ao futebol globalizado

Refletindo sobre as mudanças no futebol desde sua época de jogador, Cevoli observa que o esporte se tornou verdadeiramente global. "Hoje atletas jogam na Ásia, nos Estados Unidos, em toda parte", comenta. "Qualquer jogador que vá bem pode ir para qualquer lugar, o que é uma grande oportunidade."

No entanto, ele alerta para os desafios de adaptação, como em ligas exigentes como a inglesa, mas acredita que a qualidade sempre se destaca. "O futebol mudou e precisamos nos adaptar", conclui o técnico, enfatizando a necessidade de evolução constante no cenário esportivo internacional.