Presidente do São Paulo renuncia após investigação e acusa trama política
O presidente do São Paulo Futebol Clube, Júlio Casares, renunciou ao cargo nesta quarta-feira, 21 de janeiro de 2026, em meio a uma investigação policial e acusações de gestão temerária. A decisão foi anunciada por meio de uma carta aberta publicada em suas redes sociais, onde Casares negou qualquer irregularidade e classificou as denúncias como uma trama política ardilosa.
Contexto da renúncia e processo de impeachment
A renúncia ocorre no mesmo dia em que a Polícia Civil deflagrou uma operação de busca e apreensão ligada a aliados do dirigente. Na sexta-feira anterior, o Conselho Deliberativo do clube já havia aprovado a abertura do processo de impeachment por 188 votos a favor e 45 contra, resultando no afastamento provisório de Casares.
Se o processo seguisse para uma Assembleia Geral de Sócios e ele fosse destituído, Casares ficaria inelegível por 10 anos e seria excluído do Conselho Consultivo. Ao renunciar antes dessa votação final, ele mantém seus direitos políticos e sua cadeira como conselheiro vitalício no órgão consultivo, em uma estratégia para preservar sua vida política dentro do clube.
Acusações e defesa de Casares
A queda de Casares é motivada por graves acusações investigadas pelo Ministério Público e pela Polícia Civil, incluindo:
- Movimentações financeiras suspeitas
- O escândalo do camarote envolvendo Mara Casares, sua ex-esposa, e Douglas Schwartzmann
- A explosão da dívida do clube, que chegou a R$ 250 milhões em dívidas bancárias
Em sua carta, Casares afirmou que não renunciou antes porque entendi ser meu dever exercer, até o fim, o direito à ampla defesa e ao contraditório. Ele alegou que sua saída visa preservar minha saúde e proteger minha família de ataques e ameaças gravíssimas, e que não representa confissão de culpa. Casares também destacou o legado de sua gestão, incluindo a conquista da Copa do Brasil de 2023, título inédito para o clube.
Transição de poder e futuro do São Paulo
Com a saída de Casares, o vice-presidente Harry Massis Júnior, de 80 anos, assume o comando do Tricolor de forma definitiva até o fim do mandato, em dezembro de 2026. Massis, sócio do clube há 61 anos e empresário do ramo hoteleiro, foi eleito na chapa de Casares, mas rompeu politicamente com o ex-presidente recentemente, integrando o grupo dissidente Vanguarda.
Sua missão agora será pacificar o ambiente político e estabilizar a administração financeira do clube, que enfrenta desafios significativos após o período conturbado. A renúncia de Casares marca um capítulo turbulento na história do São Paulo, com ele encerrando sua carta afirmando: Renuncio, sim, ao ambiente de conspirações, distorções, mentiras e disputas de poder.