A seleção italiana de futebol está novamente fora da Copa do Mundo, desta vez para a edição de 2026, após uma derrota nos pênaltis para a Bósnia. Para muitos torcedores brasileiros, especialmente aqueles que viveram o trauma de 1982, essa eliminação soa como uma vingança tardia e merecida.
O Trauma de 1982: A Derrota no Sarriá
Há mais de quarenta anos, na Copa da Espanha, o Brasil de Telê Santana, com seu futebol-arte liderado por craques como Zico, Sócrates, Falcão e Cerezo, sucumbiu de forma dramática à Itália no estádio Sarriá. O placar de 3 a 2 para os italianos, com Paolo Rossi marcando três gols após uma fase inicial medíocre, enterrou as esperanças brasileiras em uma tarde que ficou gravada na memória coletiva.
O goleiro italiano Dino Zoff ainda salvou um gol certo nos minutos finais, em um lance que classificaria o Brasil, adicionando requintes de crueldade à derrota. Desde então, para muitos torcedores, torcer contra a Itália tornou-se quase um dever cívico, uma forma de manter viva a chama da revanche.
A Eliminação de 2026: Justiça Poética?
Na tarde de ontem, a Bósnia garantiu o empate e venceu nos pênaltis, eliminando a Itália da Copa do Mundo de 2026. Para os que ainda carregam o peso de 1982, como o autor Sergio Ruiz Luz, essa derrota italiana é motivo de celebração. Ele descreve ter torcido com fervor contra a Itália, vendo a Bósnia como um vingador simbólico.
Enquanto alguns lamentam a ausência da tetracampeã Itália no torneio, argumentando que times piores se classificaram, há uma parcela significativa de torcedores brasileiros que vibra com o choro italiano. Eles não veem a eliminação como uma perda para o futebol, mas como um acerto de contas histórico.
O Legado de 1982 e a Cultura do Futebol
A derrota de 1982 não foi apenas uma eliminação; representou o fim de uma era de futebol-arte brasileiro, uma pintura nos gramados que muitos consideram insuperável. A ressurreição de Paolo Rossi naquela partida, após atuações fracas anteriores, é vista por alguns como um evento quase sobrenatural, alimentando a narrativa de uma maldição ou praga rogada pelos desolados torcedores brasileiros.
Essa paixão e ressentimento transbordam para além das Copas do Mundo, estendendo-se a competições como a Eurocopa sub-16, onde torcer contra a Itália se tornou um hábito para muitos. A eliminação recente reforça a ideia de que, no futebol, as histórias do passado continuam a ecoar no presente.
Assim, enquanto a Itália chora mais uma ausência em uma Copa do Mundo, no Brasil, há quem levante um brinde à justiça poética, lembrando que, no esporte, as derrotas podem ser tão memoráveis quanto as vitórias, e a vingança, mesmo que simbólica, é sempre doce.



