Globo investe em novelas verticais e planeja 50 títulos até 2026, revela diretora
Globo planeja 50 novelas verticais até 2026, diz diretora

Globo revela plano ambicioso para novelas verticais e mira 50 títulos até 2026

Em uma entrevista exclusiva à revista VEJA, Renata Fernandes, diretora de Produtos Publicitários Digitais da Globo, desvendou os planos da emissora para as novelas verticais, também conhecidas como microdramas. A estratégia faz parte de um movimento mais amplo de transformação na linguagem, distribuição e formatos da empresa, acompanhando a evolução dos hábitos de consumo dos brasileiros, especialmente no mobile e social first.

Investimento contínuo e modelo comercial estruturado

A Globo já possui uma operação sólida em conteúdos verticais, com produtos como g1, ge e gshow, que publicam cerca de 2.000 vídeos verticais por semana. Renata Fernandes explicou que o investimento em microdramas surgiu da percepção de unir a excelência da Globo em dramaturgia ao dinamismo do conteúdo vertical, capaz de acompanhar os micro momentos da vida dos brasileiros. As primeiras produções originais, lançadas no fim de 2025, já chegaram com um modelo comercial estruturado e patrocinadores confirmados.

"O investimento é contínuo: estrutura, especialização de equipes, desenvolvimento criativo e parcerias de produção próprias dessa linguagem", afirmou a diretora. Ela destacou que, embora o formato dialogue com a dramaturgia tradicional, ele exige uma lógica própria de narrativa, ritmo e produção específica para o consumo vertical. A prioridade da Globo, no momento, é consolidar uma dinâmica sustentável de lançamentos, com recorrência de consumo e oportunidades comerciais consistentes.

Banner largo do Pickt — app de listas de compras colaborativas para Telegram

Expansão de universos narrativos e complementaridade com novelas tradicionais

Os microdramas têm se mostrado um caminho estratégico para expandir universos narrativos e criar recortes específicos das histórias. Um exemplo é 'Loquinha', que estreia em breve com 25 capítulos nas redes da TV Globo, nascendo a partir do sucesso do casal Lorena e Juquinha em Três Graças. Trata-se de uma extensão do universo da novela, que explora outros ângulos dos personagens e fortalece o vínculo com a audiência.

O mesmo acontece com as novelinhas derivadas de títulos como:

  • A Força do Querer
  • Vai na Fé
  • Terra e Paixão
  • Verdades Secretas

Essas produções são focadas nas tramas de personagens icônicos da dramaturgia brasileira. Renata Fernandes ressaltou que os microdramas não competem com as novelas tradicionais, mas complementam-nas, oferecendo novas camadas de experiência ao público.

Reativação de vínculos afetivos e meta de 50 títulos

A Globo também está reativando vínculos afetivos com o público através de microdramas. Um caso emblemático é o de Cida, personagem interpretada por Isabelle Drummond em Cheias de Charme (2012), que agora tem sua própria novelinha feita sob medida para o celular e disponível no Globoplay. Segundo Renata Fernandes, Cida reúne todos os elementos buscados: trajetória emblemática, identificação popular e forte lembrança.

"Trazê-la de volta é conectar gerações e atualizar uma história querida dentro dos hábitos atuais de consumo", explicou a diretora. A meta da Globo é encerrar 2026 com cerca de 50 títulos lançados no Globoplay, incluindo originais, obras licenciadas, conteúdos derivados de grandes tramas e spinoffs de personagens da TV Globo.

Novo modelo comercial e integração com marcas

Desde o início, a Globo criou projetos comerciais desenvolvidos exclusivamente para as novelinhas, garantindo que as marcas estejam inseridas no consumo de forma orgânica e contextualizada. A empresa está desenvolvendo um novo modelo comercial que permitirá que os anunciantes se associem aos microdramas por meio de um patrocínio ampliado, com entregas previstas em diversos títulos já em produção para 2026.

Banner pós-artigo do Pickt — app de listas de compras colaborativas com ilustração familiar

Renata Fernandes finalizou enfatizando a importância de apostar nesse mercado: "Porque as histórias precisam acompanhar o público, estar onde as pessoas estão. Investimos no formato porque o consumo mobile e social first é parte importante da rotina dos brasileiros". A estratégia da Globo visa fortalecer sua presença na jornada de vida das pessoas, diversificar ritmos de consumo e criar novas pontes entre pessoas e marcas, mantendo a relevância e o potencial cultural das histórias que contam.