De rapper a ator: como Xamã conquistou o cinema interpretando vilões e busca papel de mocinho
Xamã: do rap ao cinema, a busca pelo papel de mocinho após vilões

De rapper a ator: a trajetória de Xamã no cinema brasileiro

Antes de se tornar um astro da música, o rapper Xamã era Geizon Carlos da Cruz Fernandes, um garoto da Zona Oeste do Rio de Janeiro fascinado pelos pôsteres de filmes em locadoras de vídeo. Fã do clássico de terror O Iluminado (1980), nutria desde cedo o sonho de ser ator, um caminho que parecia distante e inalcançável na época.

Origens humildes e primeiros passos na música

Criado pela mãe e pela avó, Xamã ajudava nas contas de casa trabalhando em diversos bicos como garçom, vendedor e camelô. Nas horas vagas, cantarolava rap no trem para ganhar uns trocados extras, desenvolvendo assim sua paixão pela música. Passou a competir em batalhas de rimas, onde criou o personagem marrento apelidado de Malvadão, que rapidamente caiu nas graças das redes sociais.

Essa exposição digital se tornou a porta de entrada para a indústria musical, transformando-o em um nome cobiçado no cenário do rap nacional. No entanto, o sonho de ser ator nunca se dissipou, permanecendo como uma ambição paralela que ele cultivava em silêncio.

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Estreia cinematográfica com brilho próprio

Hoje, aos 36 anos, o carioca de traços indígenas — de origem pataxó — consegue conciliar os dois ofícios em uma rotina corrida e produtiva. Atualmente no ar na novela Três Graças, da Rede Globo, ele estreia nos cinemas com Cinco Tipos de Medo (Brasil, 2025), filme que chegou às salas em abril de 2026.

No longa de ação do diretor cuiabano Bruno Bini, Xamã interpreta Sapinho, um traficante de drogas que comanda um bairro pobre na capital de Mato Grosso. Inspirado em uma pessoa real, o criminoso truculento é, paradoxalmente, apreciado pela comunidade por exercer a função de protetor da região.

Reconhecimento crítico e premiação

A dedicação do artista ao papel foi tamanha que ele conquistou o troféu de melhor ator coadjuvante no Festival de Gramado em 2025, uma das quatro vitórias da produção, incluindo a de melhor filme. No discurso de agradecimento, Xamã fez um pedido especial ao diretor: que, da próxima vez, o chamasse para interpretar um mocinho.

"Foi a minha primeira vez atuando em um filme e poderia ter sido a última, então fiz da forma mais visceral possível", revelou o artista em entrevista, demonstrando a intensidade que dedicou à personagem.

A fama de bad boy e a busca por diversidade

Boa praça e simpático na vida real, Xamã em nada se parece com os vilões que interpreta — e a lista é considerável. Além de Sapinho em Cinco Tipos de Medo, na novela Três Graças ele também vive um traficante; no remake de Renascer, seu primeiro papel de destaque, interpretou o matador Damião; e na série Os Donos do Jogo, da Netflix, deu vida a um bicheiro de pavio curto.

Outro criminoso vai reforçar seu currículo: ele integra o elenco de Cangaço Novo, do Prime Video, que lançou sua segunda temporada recentemente. Xamã entende que o rótulo que o persegue vem justamente do personagem bad boy criado por ele nas batalhas de rimas.

"Quando eu for mocinho, acho que serei meio malvado", brinca o artista, demonstrando humor sobre sua imagem pública. A fama de mau, construída cuidadosamente ao longo da carreira, tornou-se sua marca registrada, mas ele almeja expandir seus horizontes interpretativos.

Conciliação entre música e atuação

A capacidade de Xamã em equilibrar duas carreiras tão demandantes chama a atenção da indústria. Enquanto mantém sua produção musical e performances como rapper, ele se dedica intensamente aos estudos de interpretação e ao desenvolvimento de personagens complexos para cinema e televisão.

Sua trajetória serve como inspiração para muitos jovens de origem humilde que sonham com o mundo das artes, demonstrando que é possível transitar entre diferentes expressões artísticas com talento e determinação. O sucesso em Gramado comprova que sua transição para as telas foi não apenas bem-sucedida, mas aclamada pela crítica especializada.

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O futuro promete novos desafios para o artista, que agora busca quebrar o ciclo de vilões e experimentar papéis que mostrem outras facetas de seu talento. A jornada de Geizon Fernandes até se tornar Xamã — e depois ator premiado — é um testemunho da perseverança e da versatilidade que definem sua carreira multifacetada.