Quadrinhos amazônicos ganham espaço com identidade cultural e prêmios
Quadrinhos amazônicos ganham espaço com identidade cultural

A produção de quadrinhos na Amazônia tem ganhado novos formatos e ampliado o alcance de histórias inspiradas na cultura e no cotidiano da região. Narrativas baseadas em lendas, cidades e experiências locais vêm sendo transformadas em obras autorais por artistas do Norte, que buscam espaço no cenário nacional.

Obras em destaque

Entre essas produções está “A Viagem de Maíra”, obra inspirada na lenda da Boiúna — também conhecida como Cobra Grande — e indicada a prêmios em 2025. A HQ reinterpreta elementos da tradição amazônica e apresenta a história a novos públicos. “É basicamente uma menina que embarca em uma jornada para salvar sua aldeia, enfrentando desafios que mesclam mitologia e realidade”, explicou o designer Felipe Marques, que participa do projeto.

Outro exemplo é “Semana do Cão”, que acompanha a trajetória de um cachorro perdido pelas ruas de Belém, utilizando a cidade como cenário da narrativa. A quadrinista Mandy Modesto conta que começou a produzir em 2017 e vê na criação autoral uma forma de explorar diferentes possibilidades narrativas. “Comecei nos quadrinhos em 2017 e desde então busco experimentar coisas novas, misturando técnicas e temas que refletem meu olhar sobre o mundo”, disse.

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Desafios e iniciativas

A circulação dessas produções ainda enfrenta desafios, principalmente em relação à visibilidade e ao acesso a espaços de formação e divulgação. Segundo artistas, iniciativas coletivas e projetos colaborativos têm sido alternativas para fortalecer o cenário. Parte dessa produção recente esteve reunida durante a 12ª Semana do Quadrinho Nacional do Pará, em Belém, que incluiu atividades como oficinas e encontros entre artistas. A programação também recebeu convidados de outras regiões do país.

A quadrinista Bennê Olivera participou de atividades formativas e destacou a troca de experiências entre artistas. “É uma grande oportunidade de aprender com profissionais de diferentes lugares e compartilhar nossas vivências, mostrando que a Amazônia tem muito a dizer para o mundo”, afirmou.

Acessibilidade e inclusão

Além da formação, iniciativas voltadas à produção de quadrinhos na região têm buscado ampliar o acesso ao conteúdo. Durante as atividades, houve tradução em Libras e audiodescrição para o público. A intérprete Amanda Barros destacou a importância da acessibilidade. “A gente conseguiu garantir que pessoas surdas e com deficiência visual pudessem participar plenamente, o que é fundamental para a inclusão de todos”, disse.

Preservação e reinvenção

Para pesquisadores e artistas, a produção de quadrinhos na Amazônia também cumpre um papel de preservação e reinvenção de narrativas tradicionais, ao mesmo tempo em que abre espaço para novas histórias e olhares sobre a região. A iniciativa valoriza a qualificação dos artistas locais e a produção de HQs com identidade amazônica, fortalecendo a cultura regional e projetando-a para o Brasil e o mundo.

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